Descrição de chapéu Financial Times

Máfia italiana aumentou domínio em pequenas empresas durante lockdown, diz relatório

Diretoria de Investigação Anti-Máfia diz que grupos aproveitam crise econômica no país para oferecer ajuda financeira a empresários

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Miles Johnson
Roma | Financial Times

O fornecimento de "assistência" da máfia às pequenas empresas em dificuldade na Itália aumentou muito nos primeiros meses do lockdown da Covid-19, segundo o primeiro relatório abrangente do Ministério do Interior do país sobre o crime organizado desde o início da pandemia.

O relatório da Diretoria de Investigação Anti-Máfia (DIA) disse que havia uma ameaça significativa de que criminosos organizados aproveitem a crise econômica no país para dominar pequenas empresas, depois de inicialmente lhes oferecer ajuda.

Grupos mafiosos oferecem a "companhias em dificuldades uma espécie de assistência social como alternativa às instituições [públicas e privadas], mas depois adotam a conduta tradicional intimidatória que visa adquirir o controle de suas atividades econômicas".

O relatório, que cobre o período de janeiro a junho do ano passado, disse que havia o risco de pequenas e médias empresas "serem engolidas em médio prazo pelo crime, tornando-se instrumentos de lavagem de dinheiro e reciclagem de capital ilícito".

A advertência ocorre enquanto grupos de tipo mafioso na Itália adaptam suas operações para compensar a queda em outras oportunidades criminosas depois da imposição do lockdown nacional em março passado.

A Itália sofreu sua pior contração econômica desde a Segunda Guerra Mundial, depois que abriu caminho na Europa ao adotar o lockdown [fechamento estrito do comércio e atividades econômicas] para conter a disseminação do coronavírus, que já matou mais de 95 mil pessoas no país desde o início da pandemia.

O país tem um dos maiores números de pequenas e médias empresas da União Europeia, com aquelas em setores como hotelaria e restaurantes mais expostas à recessão econômica causada pelas restrições do lockdown.

Houve uma diminuição de crimes como transações de bens roubados, falsificação e furtos, alinhada com a forte restrição de movimentos no início do lockdown, disse o relatório. Os casos de incêndios em edifícios, um indicador de possível venda ilegal de proteção e falsas cobranças de seguros, porém, continuaram estáveis comparados com o mesmo período de 2019.

O relatório também advertiu sobre a probabilidade de o crime organizado tentar "esgotar os recursos que serão alocados para a recuperação do país", enquanto o novo governo de Mario Draghi trabalha em um plano econômico que envolverá gastos superiores a 200 bilhões de euros em fundos de recuperação europeus.

O relatório semestral da DIA sobre o crime organizado enfoca basicamente os três principais grupos mafiosos da Itália: ’Ndrangheta, da Calábria, Cosa Nostra, da Sicília, e Camorra, de Nápoles.

Ele comentou que a ’Ndrangheta, o mais forte e rico dos três por causa de sua proeminência no tráfico de drogas internacional da América Latina para a Europa, sofreu um ligeiro declínio de poder em consequência de grandes investigações criminais e do aumento gradual de informantes dentro das famílias criminosas.

O relatório também destacou evidências descobertas pela polícia italiana de tentativas embrionárias de membros da família Gambino de Nova York de reacender laços históricos com a Cosa Nostra da Sicília.

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

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