Problema da pandemia que se reservou a mim foi o emprego, diz Bolsonaro

Em gesto a caminhoneiros, presidente afirmou que fará evento sobre combustíveis nesta sexta

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Cascavel (PR)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quinta-feira (4) que o que se reservou ao governo federal no combate à pandemia foi a questão do emprego.

“Desde o começo, eu falava que tínhamos dois problemas. O vírus e o desemprego. Reservou-se para mim a questão do emprego. O outro lado não foi”, afirmou.

Segundo o presidente, esse “outro lado” —a questão do vírus— passou a ser uma atribuição dele quando se tornou necessário enviar recursos para estados e municípios.

Nesta quarta-feira (3), o Brasil registrou 1.208 mortes pela Covid-19 e 53.233 casos da doença, segundo dados do consórcio de imprensa. Com isso o país chegou a 227.591 óbitos e a 9,3 milhões de pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2 desde o início da pandemia.

O Ministério da Economia negocia com os recem empossados presidentes da Câmara e do Senado um pacote com novas medidas econômicas. O governo apresentou uma lista de reformas que considera prioritárias para a área.

Bolsonaro tratou do tema durante a inauguração de um centro esportivo em Cascavel (PR). Ele estava acompanhado do governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), do filho e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Lorenzoni deve deixar a pasta da Cidadania, prometida a deputados de partidos do centrão, mas permanecerá próximo a Bolsonaro atuando na Secretaria-Geral da Presidência. Os assuntos ligados ao Esporte estão integrados à pasta.

Bolsonaro também afirmou que fará um evento nesta sexta-feira (5) para discutir a tributação sobre combustíveis. O presidente defende que haja maior previsibilidade nos reajustes.

“Vocês sabem que zeramos o imposto chamado Cide. Temos outro imposto que tem a ver com o PIS/Cofins. O nosso é previsível, é R$ 0,33”, afirmou. “Já o ICMS, cada estado tem um valor, e ele varia de hoje para amanhã.”

O presidente manifestou preocupação com caminhoneiros, taxistas, motoristas de aplicativos e donos de carros particulares. Declarou que foram convocados representantes de todas as categorias para participarem do evento, mas não deixou claro como a reunião ocorrerá.

Também afirmou que convidaria a imprensa para uma entrevista coletiva, “onde falaremos, e eu interrogarei as pessoas presentes a tratar de combustíveis no Brasil.”

Caminhoneiros na plateia do evento vibraram com as palavras do presidente. Um grupo também fez reivindicações para que ocorram mudanças no processo de licitação do pedágio no estado.

Entidades que representam os caminhoneiros apresentaram ao governo uma pauta de reivindicações, e o preço do combustível está na lista. A categoria critica os reajustes recentes feitos pela Petrobras.

Nesta segunda (1º), grupos de caminhoneiros tentaram deflagrar uma greve em sinal de protesto, mas o movimento teve baixa adesão. Na quarta, as entidades do setor de transportes declararam o fim da greve.

No sábado (30), Bolsonaro afirmou que a redução do PIS/Cofins sobre o óleo diesel traria um impacto bilionário para os cofres públicos e que, para adotar essa medida, o governo precisa indicar de onde viria a compensação para cobrir a perda de arrecadação.

"A gente apela para os caminhoneiros, eles realmente são o sangue que leva o progresso, todo o movimento dentro do Brasil. Não é eu que vou perder, o Brasil vai perder. Os senhores também vão perder", disse o presidente na ocasião.

Inauguração

A chegada de Bolsonaro em Cascavel causou aglomeração no aeroporto. Apoiadores do presidente também se reuniram nas imediações do espaço esportivo, onde foram exibidos caminhões e cartazes com reivindicações para que haja revisão no processo de licitação do pedágio no estado. Boa parte não vestia máscara.

O grupo que acompanhou o discurso dentro do centro de atletismo foi reduzido. Estavam presentes principalmente autoridades locais, estudantes e atletas, além de apoiadores do presidente.

Até esta terça-feira (2), Cascavel havia registrado 252 mortes e 20.830 casos de Covid-19, segundo a Secretaria de Saúde do município. A ocupação de leitos dedicados a pacientes com coronavírus estava na casa dos 70%. A cidade tem cerca de 330 mil habitantes, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e funciona como um polo médico para cidades menores na região.

Bolsonaro tem uma grande base eleitoral em Cascavel. Em 2018, recebeu cerca de 60% dos votos no primeiro turno. No segundo, aproximadamente 70%.

A obra inaugurada por Bolsonaro foi iniciada em 2015. O espaço foi projetado para funcionar como centro de treinamento para atletas estrangeiros na Rio-2016.

O centro de atletismo será explorado por uma faculdade local em parceria com o governo paranaense, para formação de atletas e treinamento de profissionais.

A estrutura tem cerca de 8.000 m² e inclui arquibancada, sala para fisioterapia, alojamento, pistas de aquecimento e completa, quadra e área para treino em grama.

Bolsonaro era pentatleta durante a sua juventude, e competia enquanto estava nas Forças Armadas.

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