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Digitalização trazida pela pandemia impulsiona investimentos em startups e fintechs

Alocações de recursos em venture capital bateram recorde em 2020

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São Paulo

​Os investimentos em fintechs e startups deve alcançar novos patamares, afirmaram executivos do setor. A expectativa é que o “novo normal” trazido pela pandemia do coronavírus impulsione a criação de novos negócios tecnológicos e parcerias dessas iniciativas com grandes bancos e companhias.

O maior movimento de digitalização dos sistemas já vinha sendo impulsionado desde a chegada da Covid-19, diante do isolamento social e da consequente necessidade de inovação nos processos de atendimento e experiência do consumidor.

Uma pesquisa da Abvcap (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital) e da KPMG apontam que em 2020, pela primeira vez na história, os investimentos em fundos de venture capital superaram os vistos em fundos de private equity no Brasil (R$ 14,6 bilhões e R$ 9,1 bilhões, respectivamente).

Cubo Itaú, braço de empreendedorismo tecnológico do Itaú Unibanco
Cubo Itaú, braço de empreendedorismo tecnológico do Itaú Unibanco - Celso Doni - 11.dez.2018/ Divulgação

No ano, essas alocações somaram R$ 23,6 bilhões. Foi o segundo maior volume registrado na série histórica da pesquisa, de 2011 –o maior foi em 2019, quando houve um pico de investimentos nas duas categorias.

Venture capital é caracterizado por ser um investimento de risco, feito em empresas com um grande potencial de crescimento. O private equity é o investimento feito em uma companhia mais amadurecida e de capital fechado.

Segundo o superintendente do Lab 033, do Santander, Tomás Mariotto, a tendência é que esse mercado continue aquecido ao longo de 2021.

“A visão do mercado é de uma ebulição das startups. Com a maior demanda por digitalização, vimos uma aceleração muito grande desse ambiente digital e as startups e fintechs, por serem mais flexíveis e rápidas no ajuste das engrenagens, estão surfando isso”, afirmou.

Além das mais de 100 startups que o banco espanhol se relaciona comercialmente, Mariotto disse que o Mouro Capital, fundo de capital de risco atrelado à instituição, dobrou o total investido nessas iniciativas, de R$ 200 milhões para R$ 400 milhões.

O mesmo movimento também aconteceu não somente nos outros dois grandes bancos privados, mas também em companhias de outros setores, que começaram a buscar alternativas para adaptar seus sistemas à nova realidade.

Segundo o diretor executivo da ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs), Renan Schaefer, há uma demanda crescente de investidores em busca de startups, tanto pelos juros básicos do país em níveis historicamente baixos como pelo fato de que bancos e companhias estão criando ou aprimorando seus braços de investimentos e parcerias com essas iniciativas.

“Parte desse movimento vem de um fator relativamente simples, com a premissa de que é mais barato e simples comprar startups do que desenvolver todo o serviço ou produto dentro de casa. Mas todo mundo já está mais de olho nas deficiências de seus mercados específicos e ninguém quer ficar de fora desse movimento”, completou Schaefer.

O Inovabra Ventures, braço de venture capital do ecossistema de inovação do Bradesco (o Inovabra) já possui cerca de R$ 1,7 bilhão investido em 18 companhias.

“O primeiro objetivo desses investimentos é o retorno financeiro. Mas a missão número dois é a de encontrar e trazer tecnologias e ideias que tenham alguma interação com a organização do banco. É um capital 100% do Bradesco e de longo prazo”, disse o diretor responsável por private equity e venture capital do Bradesco BBI, Rafael Padilha.

“E o apetite não é apenas por novos investimentos, nós gostamos de alocar recursos adicionais. Se eu participei de uma rodada B, quero participar da C, da D, da E e da F se a companhia estiver performando bem”, completou.

As rodadas de investimentos são processos de captação de recursos comumente usados pelas startups e fintechs. Cada rodada pode ser formada por um único fundo de investimento ou por um conjunto de fundos que, juntos, fazem o aporte.

Com o crescimento e a maior visibilidade de startups e fintechs, a expectativa é que o setor continue a ganhar tração ao longo de 2021.

Para o codiretor do Cubo Itaú, Pedro Prates, o movimento também tende a ser impulsionado por investidores internacionais, que enxergam três fatores principais que, segundo o executivo, justificam o investimento no Brasil: o tamanho do mercado brasileiro, a ineficiência estrutural do país – com problemas que podem ser solucionados por tecnologia–, e um regulador cada vez mais aberto a fomentar a competição em um mercado concentrado.

“Além disso, a pandemia também trouxe um quarto fator importante para tudo isso, que é a mudança estrutural das corporações tradicionais. Essa interação tende a crescer e se mesclar cada vez mais durante o tempo, e tudo isso é fogo e gasolina para o crescimento do setor”, afirmou Prates.

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