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Negócio da Blackstone com a Crown tem dados a seu favor

A oferta da gigante de capitais privados pela operadora de cassinos Crown Resorts tem as marcas principais de um bom negócio

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Jacky Wong / The Wall Street Journal
Hong Kong

Os mercados financeiros são muitas vezes comparados com cassinos e os financistas, com jogadores. Às vezes isso vem a ser verdade de forma bastante literal: a Blackstone está fazendo uma aposta oportuna pela Crown Resorts que parece ter possibilidade de dar certo.

A gigante dos capitais privados ofereceu o equivalente a US$ 6,2 bilhões pela operadora de cassinos australiana Crown Resorts, em dificuldades financeiras, segundo documentos apresentados na Bolsa nesta segunda-feira (22). A Blackstone está claramente tentando se aproveitar das recentes dificuldades da Crown.

Fachada do Crown Casino em Melbourne, na Austrália; Blackstone ofereceu US$ 6,2 bilhões pela operadora de cassinos australiana
Fachada do Crown Casino em Melbourne, na Austrália; Blackstone ofereceu US$ 6,2 bilhões pela operadora de cassinos australiana - William West/AFP

O órgão regulador do jogo em Nova Gales do Sul disse no mês passado que a Crown não é adequada para deter a licença de seu novo cassino em Sydney, depois que um relatório severo —encomendado pelo regulador— descobriu que a companhia facilitava a lavagem de dinheiro.

Desde então, duas comissões reais foram anunciadas para examinar os atuais cassinos da Crown em Melbourne e Perth. O executivo-chefe da Crown se demitiu. O bilionário James Packer, dono de mais de um terço da Crown por meio de sua firma Consolidated Press Holdings, poderá ser obrigado a deixar a sociedade.

A Blackstone não é estranha a cassinos. Ela já possui 10% da Crown. Também comprou participações em alguns resorts e cassinos de Las Vegas, como o Bellagio e o MGM Grand da MGM Resorts em 2019 e 2020, e então os alugou para a operadora de cassinos. E comprou o Cosmopolitan, um hotel e cassino em Las Vegas que entrou em dificuldades financeiras em 2014.

O imóvel estrela da Crown —seu arranha-céu com cassino e hotel em Sydney com vista para o porto é o edifício mais alto da cidade— é certamente uma boa aposta em si, especialmente se a Blackstone conseguir comprá-lo pelo baixo valor oferecido.

A oferta representa um prêmio de 20% sobre o fechamento de sexta-feira, mas ainda é menor que o preço da ação da Crown no início de 2020, antes da pandemia e das incertezas regulatórias. O preço de oferta também é 20% menor que a aposta parcialmente em dinheiro feita pela Wynn Resorts em 2019, que durou pouco. Muitas ações de hotéis e lazer já subiram acima dos níveis pré-pandemia.

O preço oferecido pela Blackstone representa um valor da empresa com o rendimento estimado do próximo ano, antes de juros, impostos, depreciação e amortização, de 11,6%, segundo a S&P Global Market Intelligence. Isso é menos que muitos cassinos americanos como Las Vegas Sands e Wynn Resorts.

As ações da Crown subiram 21% na segunda-feira —1% acima do preço de oferta da Blackstone, o que significa que o mercado acha que poderá haver uma proposta melhor. A Crown, que ainda não formou uma opinião sobre a oferta, poderá conseguir espremer um pouco mais da firma de capitais privados.

Há também uma chance de que surjam outras ofertas, embora a Blackstone tenha a vantagem de ser um comprador financeiro puro. A participação existente de 10% da Blackstone veio da Melco Resorts & Entertainment depois que o interesse da operadora de cassinos de Macau pela Crown levou a investigações de seus supostos laços com grupos criminosos.

Outras operadoras de cassinos dos EUA ou de Macau também poderão enfrentar escrutínio regulatório. A Crown talvez seja uma presa grande demais para suas rivais australianas como a Star Entertainment. A Blackstone tem boas chances de ganhar a joia da coroa na Austrália.

Traduzido originalmente do inglês por Luiz Roberto M. Gonçalves

WSJ

Conteúdo licenciado pelo Wall Street Journal para publicação na Folha de S.Paulo, a responsável pela tradução para o português.

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