Pazuello enfrenta resistências para assumir PPI e deve voltar para cargo militar

Indicação do general para o programa não foi bem recebido por Tarcísio e Guedes e levou Bolsonaro a defender função na Defesa

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Brasília

Com a resistência de ministros tanto civis como militares para que seja acomodado em um cargo vinculado ao Palácio do Planalto, o general da ativa Eduardo Pazuello, que deixou oficialmente o comando do Ministério da Saúde na terça-feira (23), deve reassumir uma função de natureza militar.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tentava acomodar o aliado na sede da Presidência da República, já reconhece, segundo assessores palacianos, que a única alternativa que sobrou para o militar é assumir uma posição no Ministério da Defesa.

O presidente chegou a sugerir, em conversas reservadas, que Pazuello assumisse o PPI (Programa de Parceria e Investimentos). No entanto, mudou de ideia após reação negativa dos ministros da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, e da Economia, Paulo Guedes.

A avaliação de ambos é a de que a estrutura, que deve ser deslocada da Economia para a Secretaria-Geral, é estratégica para a política econômica do governo federal e que precisa, portanto, de um nome com experiência na área.

Tanto Guedes quanto Tarcísio argumentaram, segundo relatos feitos à Folha, que o PPI é o cartão de visita do programa de privatizações do governo e que a nomeação de Pazuello seria interpretada de forma negativa pelo mercado.​

Pazuello comandava a Saúde desde maio do ano passado. Alvo de investigação e criticado por sua atuação no combate à pandemia do coronavírus, ele foi substituído pelo médico Marcelo Queiroga e, até agora, não foi nomeado para outra função.

A efetivação de Queiroga no posto demorou mais de uma semana, entre outros motivos, pelo desejo do presidente de alocar Pazuello —considerado um aliado fiel— em alguma posição de destaque na administração federal.

Os postos avaliados para o militar, no entanto, enfrentaram resistências internas de auxiliares militares e civis de Bolsonaro, que destacaram que Pazuello carrega consigo o desgaste das inúmeras queixas à sua gestão da Saúde.

O presidente cogitou, em um primeiro momento, criar um ministério extraordinário para a Amazônia e entregá-lo a Pazuello ou designá-lo para comandar a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos).

A ideia de um novo ministério foi descartada diante da possibilidade de o governo federal ser acusado de querer lotear a máquina púbica apenas para acomodar um aliado. Além disso, seria interpretada como uma forma de proteger Pazuello com foro privilegiado.

A saída de Pazuello do ministério já teve reflexos na investigação contra ele que corria no STF (Supremo Tribunal Federal)

O ministro Ricardo Lewandowski, do STF, enviou para primeira instância o inquérito contra Pazuello sobre sua suposta omissão no colapso em Manaus durante a pandemia do novo coronavírus. A investigação prosseguirá em uma das varas criminais da Justiça Federal de Brasília.

O receio do Planalto é que, em primeira instância, a análise do caso do militar possa ser tratada de maneira mais rígida, até com o risco de prisão, dependendo do magistrado que assumir a investigação.

O presidente Bolsonaro também considerou acomodar o general na SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), que atualmente é comandada pelo almirante Flávio Rocha.

De acordo com interlocutores do presidente, Rocha disse a Bolsonaro que quer permanecer à frente da SAE, o que fechou novamente as portas para Pazuello.

Com a indefinição, assessores palacianos dizem que Pazuello deve reassumir um posto de natureza militar. Atualmente, discute-se se a posição a ser preenchida será no Ministério da Defesa ou no Exército Brasileiro.

Mesmo o retorno de Pazuello para o Exército enfrenta obstáculos. De acordo com integrantes da cúpula militar, o comandante Edson Pujol atua para que o ex-ministro não volte para a força.

Ele avalia que o Exército já sofreu desgaste suficiente com a presença de um militar da ativa no comando da Saúde no momento mais crítico da pandemia.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, por outro lado, sinalizou a Bolsonaro que não teria problemas em acomodar o militar em um cargo de assessoria na pasta, o que é hoje o destino mais provável do militar.

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