Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Recuperação de ações na China está defasada

Ações sofrem a mesma rotação para longe da tecnologia e do crescimento, como nos EUA, mas não têm a mesma cobertura confortável do banco central

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Jacky Wong / The Wall Street Journal

O espectro das bolhas passadas ainda assombra os políticos chineses. É um sinal de mau presságio para as ações chinesas.

O índice CSI 300 da China caiu 14% de seu recente pico em fevereiro, com desempenho pior que o de outros grandes mercados. O S&P 500 está aproximadamente nivelado no mesmo período. Parte do motivo é uma rotação aguda para longe das ações de crescimento, que também acontece em outros lugares.

Investidores em Xangai, na China; eles se afastaram das ações de tecnologia e veículos elétricos
Investidores em Xangai, na China; eles se afastaram das ações de tecnologia e veículos elétricos - Aly Song/Reuters

Enquanto as campanhas de vacinação se desenrolam em todo o mundo, os investidores se afastaram das ações de tecnologia e veículos elétricos e voltaram para setores mais tradicionais.

A Tesla, por exemplo, perdeu quase um quarto de seu valor desde janeiro. Na China, as ações "baotuan"—termo chinês que significa que os investidores estão aglomerados em torno delas— sofreram fortes liquidações. Isso inclui muitas ações de produtos de consumo e tecnologia que tiveram aumentos exorbitantes nos últimos anos.

Ações da gigante de bebidas Kweichow Moutai, a companhia mais valiosa listada em bolsa na China continental, caiu quase um quarto no último mês. A fabricante de carros elétricos BYD, apoiada por Warren Buffet, perdeu quase um terço de seu valor desde fevereiro. Setores como energia e bancos, que estavam desfavorecidos há muito tempo, se saíram melhor.

Mas o mais importante é que as autoridades chinesas parecem cautelosas para não alimentar uma nova bolha de ações. O banco central da China inesperadamente secou a liquidez do sistema financeiro no início do ano, antes do Ano Novo Lunar, provocando preocupações de que a política monetária pudesse endurecer.

Enquanto a China colocou a pandemia sob controle e sua economia emergiu mais resiliente que as de muitos outros países, o governo também está mais preocupado que um estímulo possa alimentar bolhas de ativos. As grandes iniciativas de estímulo da China depois da crise financeira de 2008, e em 2015 e 2016, formaram uma dívida enorme, que o governo ainda está enfrentando.

Enquanto o mercado chinês não está no nível de ebulição visto durante a bolha de 2015, os riscos vêm aumentando. A quantidade exagerada de finanças marginais —um dos principais culpados pela bolha do mercado na última vez— continua um terço mais baixa que no pico de 2015, mas cresceu 51% desde o início de 2020.

O mercado de ações provavelmente não é a maior preocupação do governo, mas haverá danos colaterais quando ele tentar conter um acúmulo de dívidas em propriedades. O principal regulador bancário da China, Guo Shuqing, advertiu sobre uma bolha no mercado imobiliário do país na semana passada.

Traduzido originalmente do inglês por Luiz Roberto M. Gonçalves

WSJ

Conteúdo licenciado pelo Wall Street Journal para publicação na Folha de S.Paulo, a responsável pela tradução para o português.

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