Descrição de chapéu Financial Times inflação

Plano de US$ 3 tri para modernizar infraestrura nos EUA exige aumento de impostos, diz secretária do Tesouro

Medidas ajudariam a compensar planos de US$ 3 trilhões de Biden, segundo Janet Yellen, secretária do Tesouro

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James Politi
Washington | Financial Times

Janet Yellen, a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, disse que aumentos de impostos seriam necessários para bancar os próximos estágios da agenda econômica do governo Biden, que envolvem cerca de US$ 3 trilhões em gastos novos com infraestrutura, energia limpa e educação.

Em depoimento ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados, Yellen enfrentou críticas de legisladores republicanos que objetaram ao aumento de impostos sobre as empresas e sobre os contribuintes mais ricos a fim de custear os grandes dispêndios planejados.

A secretária do Tesouro defendeu a necessidade de aumentos de impostos, mas prometeu que o governo Biden não faria qualquer coisa que “prejudique” as pequenas empresas ou os cidadãos americanos de renda baixa e média.

Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, durante debate virtual - Nicholas Kamm - 23.mar.2021/AFP

“Precisamos elevar a arrecadação de maneira justa a fim de bancar os gastos de que a economia necessita para ser competitiva e produtiva”, disse Yellen em resposta a perguntas da deputada Ann Wagner, republicana do Missouri.

Yellen acrescentou que “um pacote que consista de investimentos em pessoas [e] investimento em infraestrutura ajudará a criar bons empregos na economia americana, e mudanças na estrutura tributária ajudarão a pagar por esses programas”.

Os assessores econômicos de Biden estão estudando se devem levar adiante algumas propostas de aumento de impostos que ele fez na campanha presidencial de 2020 contra Donald Trump, entre os quais elevar a alíquota mais alta do imposto de renda empresarial de 21% para 28%, uma elevação na alíquota mais elevada do imposto de renda das pessoas de alto patrimônio e um aumento do imposto sobre ganhos de capital para os milionários.

As medidas ajudariam a compensar o custo de cerca de US$ 3 trilhões dos planos de gastos de Biden. O pacote viria se somar ao estímulo fiscal de US$ 1,9 trilhão implementado por Biden este mês para ajudar a recuperação a pegar no tranco, financiado inteiramente por uma elevação do déficit orçamentário.

O depoimento de Yellen ao Congresso, realizado de forma virtual, foi seu primeiro desde que foi confirmada como secretária do Tesouro. Ela depôs junto com Jay Powell, o chairman do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, e ambos buscaram refutar as preocupações de que gastos excessivos poderiam ter efeito adverso sobre a economia dos Estados Unidos.

Yellen disse que, por causa do estímulo, a economia “pode retornar” ao pleno emprego no ano que vem, completando a recuperação pós-pandemia. Powell descartou as preocupações crescentes quanto à possibilidade de que uma onda de gastos este ano deflagre um salto insalubre na inflação que seria difícil de controlar.

“Nossa opinião ponderada é a de que o efeito sobre a inflação não será particularmente forte nem persistente”, ele afirmou.

Powell também reiterou que o Fed não adotaria uma política monetária mais dura repentinamente, e que a instituição estava longe de começar a retirar seu apoio monetário à economia por meio de uma desaceleração em seus programas de compra de ativos, a despeito de projeções de dirigentes do banco central de que o Produto Interno Bruto (PIB) americano subirá em 6,5% este ano.

“Aprendemos ao longo de diversos anos que precisamos nos comunicar cuidadosamente e agir lentamente e com muita antecedência”, disse Powell. “Informaremos as pessoas sobre o que está por vir”.

Yellen também defendeu sua decisão de abrir as portas para que o FMI emita uma nova rodada de US$ 650 bilhões em Direitos Especiais de Saque (DES), para dar aos seus membros acesso a liquidez quando eles enfrentarem dificuldades financeiras causadas pela pandemia.

Um legislador republicano atacou o plano —que reverte uma decisão de política econômica do governo Trump— porque isso canalizaria dinheiro para inimigos estratégicos dos Estados Unidos, como a China, o Irã e a Venezuela. Mas Yellen disse que a medida era essencial para prevenir que países de baixa renda adotem “ações deflacionárias e contrativas que poderiam tornar a recuperação mais difícil”.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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