Descrição de chapéu Financial Times

Investidores lamentam ter ficado de fora do plano de infraestrutura de Biden

Gestores de ativos e fundos de pensão esperavam que parcerias público-privadas dessem oportunidades

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Mark Vandevelde Michael Mackenzie
Nova York | Financial Times

Executivos das finanças estão lamentando que foram congelados fora dos planos de apoio à dilapidada infraestrutura dos Estados Unidos, enquanto o governo Biden promove uma abordagem de taxar e gastar em projetos de construção.

O "plano de empregos americano" do presidente Joe Biden, revelado no mês passado, prevê US$ 2 trilhões de investimentos em rodovias, redes elétricas e outras infraestruturas básicas.

Larry Fink, executivo-chefe da BlackRock, disse que há enormes reservas de capital privado de prontidão - Lucas Jackson - 16.abr.20/Reuters

Ao mesmo tempo, a Casa Branca apresentou reformas fiscais corporativas que, segundo disse, geraria dinheiro suficiente para pagar pela onda de investimentos em 15 anos.

Isso decepcionou alguns investidores e administradores de fundos, que antes esperavam que as parcerias público-privadas fossem uma oportunidade de financiamento lucrativa.

"Eu adoraria colocar o dinheiro em projetos de infraestrutura", disse Christopher Ailman, diretor de investimentos da Calstrs, sistema de aposentadoria que paga as pensões dos professores da Califórnia.

Há enormes reservas de capital privado de prontidão

Larry Fink

Executivo-chefe da BlackRock

O fundo de US$ 290 bilhões manteve conversas esporádicas com o Tesouro americano sobre investir em projetos de infraestrutura desde o governo Obama, disse Ailman. "Muitos investidores de longo prazo veem a infraestrutura como uma fonte de retornos estáveis em longo prazo", disse ele.

Veículos de capital privado dedicados à infraestrutura haviam reunido US$ 655 bilhões em ativos em junho passado, segundo dados da Preqin —o suficiente para pagar por trilhões de dólares em investimentos, quando o financiamento da dívida é acrescentado.

"Há enormes reservas de capital privado de prontidão", disse Larry Fink, executivo-chefe da BlackRock. "E um grande problema é a falta de projetos de infraestrutura para os investidores investirem."

Donald Trump esperava solucionar o problema, prometendo em seu discurso de posse "construir novas estradas e rodovias e pontes e aeroportos e túneis, e ferrovias, sobre todo o nosso maravilhoso país".

Essas ambições levaram o governo da Arábia Saudita a comprometer cerca de US$ 20 bilhões em um fundo de investimento enfocado na infraestrutura dos Estados Unidos.

Mas o programa de construção de Trump não se materializou, e o grupo de administração de ativos Blackstone, que investe dinheiro saudita juntamente com capitais de outros investidores, havia se concentrado amplamente em tentar comprar ativos existentes, como portos, ferrovias e estradas com pedágio, em vez de despejar concreto em novos locais.

Enquanto a proposta de Biden reanima algumas ambições não realizadas de seu antecessor, ela não prevê um papel para os investidores privados que esperavam ocupar o lugar do motorista.

"Esse é um plano muito tradicional do tipo que sinaliza que o governo está gastando em infraestrutura", disse um lobista que representa firmas de capitais privados no Congresso.

"Ele mostra que o presidente Biden realmente é um político criado nos anos 1970 e 1980. Certamente parece a antiga abordagem 'financie através do governo'. Era assim que se fazia infraestrutura na época."

Ao contrário do governo federal, que paga uma taxa de juros menor por sua dívida na comparação com quase todos os outros mutuários, os operadores de infraestrutura do setor privado devem ter taxas de retorno comerciais, um custo que acaba pousando no usuário dos serviços essenciais.

"Se o governo Biden quer os menores custos de financiamento vai financiar os projetos federalmente", disse Fink.

Mas alguns executivos afirmam que o envolvimento do setor privado pode impor disciplina comercial e gerar economias em outros lugares.

Outros esperam que Biden possa ser convencido a vender ativos que são atualmente propriedade pública, permitindo que investidores tenham um retorno sobre a infraestrutura existente enquanto deixam o trabalho de construção arriscado para o setor público.

"O mundo mudou muito nos últimos 80 anos", disse um alto executivo de uma firma que investiu bilhões de dólares em energia e transporte, expressando uma frustração geral pela lentidão de Biden em abraçar a participação do setor privado em seu programa de investimentos públicos.

"Toda uma indústria de infraestrutura nasceu. E há maneiras de o governo se associar a parceiros privados, para acelerar, multiplicar e aumentar a eficácia do que estão fazendo."

Traduzido originalmente do inglês por Luiz Roberto M. Gonçalves

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