Descrição de chapéu aeroportos

Lances em leilão sinalizam apetite por Congonhas e Santos Dumont, avalia mercado

Governo prepara nova oferta de 16 aeroportos; agressividade da CCR causa surpresa

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Rio de Janeiro e São Paulo

O mercado se surpreendeu com os preços ofertados pelas concessões de aeroportos licitadas nesta quarta-feira (7) e vê o resultado da concorrência como um bom indicativo de interesse para a próxima rodada de leilões do setor, na qual o governo oferecerá os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

A sétima rodada de leilões de concessões da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) está prevista para 2021 e deve ter, além das duas instalações consideradas as "joias da coroa", outros 14 aeroportos de menor porte, mantendo a estratégia de oferecer as oportunidades em blocos.

"Vejo esse resultado como um voto de confiança no país e na capacidade de reação do governo", diz a advogada especialista em concessões Letícia Queiroz, sócia da Queiroz, Maluf Sociedade de Advogados. "No setor aéreo, o governo andou bem e a resposta à pandemia foi muito rápida."

O ministro Tarcísio Freitas bate o martelo no leilão de aeroportos desta quarta-feira (7); Vinci Airports e Companhia de Participações em Concessões foram as vencedoras da sexta rodada
O ministro Tarcísio Freitas bate o martelo no leilão de aeroportos desta quarta-feira (7); Vinci Airports e Companhia de Participações em Concessões foram as vencedoras da sexta rodada - José Fernando Ogura/ AEN

O setor foi um dos mais prejudicados pelas restrições à circulação de pessoas após o início da pandemia, mas a abertura da Anac para renegociações das condições de contratos diante da nova realidade é vista como um sinal de maturidade regulatória.

Este primeiro leilão de aeroportos após a pandemia foi ajudado ​por mudanças promovidas pelo governo em 2020, com a redução dos preços das concessões e a permissão para a formação de consórcios sem um operador aeroportuário, o que ampliou o leque de empresas elegíveis.

Na avaliação do mercado, as mudanças permitiram a participação de um número maior de empresas brasileiras, ampliando a competição em um momento de crise entre as gigantes mundiais do setor e de aumento da percepção de risco em relação ao Brasil.

O bloco Sul, por exemplo, recebeu proposta de um fundo de infraestrutura do banco Pátria. A gestora XP também formou um consórcio com a Socicam Infraestrutura e Participações para tentar a disputa do bloco Central.

Entre operadoras estrangeiras, participaram a espanhola Aena, a Corporación América Airport, com sede em Luxemburgo, e as francesas ADP e Vinci, esta última vencedora da concorrência pelo bloco Norte.

A agressividade da CCR, que ficou com os outros dois blocos pagando elevados ágios, gerou surpresa. "O apetite da CCR me surpreendeu bastante, mas entendo que eles precisam gerar novos ativos para o acionista", diz o advogado Caio Loureiro, do Miscione Advogados.

"Era um ambiente mais restritivo, de maior risco. E é natural que propostas mais agressivas tenham vindo de empresas que estão no país, que conhecem um pouco mais do cenário e têm mais confiança para assumir riscos", completa Queiroz.

Para agentes do mercado financeiro, apesar de as aquisições da CCR terem sido consideradas importantes para a companhia –principalmente diante do potencial e da qualidade dos ativos–, também houve a percepção de que a operadora pagou caro pelos dois blocos de aeroportos.

As ações da CCR, que chegaram a subir perto de 2% pela manhã nesta quarta, enquanto o leilão acontecia, inverteram o sinal no começo da tarde e encerraram em queda de 1,59%, cotadas em R$ 12,99.

Segundo analistas, houve um desconforto do mercado em relação ao preço que foi pago pelos ativos – que costuma ser medido pelo percentual de ágio.

“O ágio foi maior do que o esperado e muita gente acabou considerando que a proposta da CCR foi muito agressiva. Parece que, ao longo do dia, o mercado acabou digerindo melhor esses valores em relação ao que foi adquirido”, afirmou o analista da Guide Investimentos, Henrique Esteter.

Para a analista de empresas da Clear Corretora, Pietra Guerra, também houve um movimento de realização de lucros de curtíssimo prazo.

“Quem tinha papéis da CCR já estava na expectativa do leilão e já considerava realizar parte do lucro após o evento para colocar o dinheiro no bolso. Isso também acaba pesando”, disse.

Após o leilão, a expectativa do setor é que a disputa pela próxima rodada seja acirrada, com a presença de grandes operadores globais. Em outubro, o Ministério da Infraestrutura abriu processo para contratar os estudos para a oferta.

O lote de 17 aeroportos será dividido em três blocos: Norte 2, com seis instalações no Pará; RJ-MG, com o Aeroporto Santos Dumont e outras quatro instalações nos dois estados; e bloco SP-MS, com Congonhas e outras quatro instalações, incluindo a capital do Mato Grosso do Sul.

Em entrevista após o leilão, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, disse que o governo deixou Congonhas e Santos Dumont para que novas empresas aproveitassem a rodada desta quarta para se posicionar no mercado brasileiro em preparação para os dois ativos, que são considerados os melhores da lista.

"Na medida em que a vacinação vai tomando corpo e que o mundo vá superando a questão da pandemia, a gente vai ver também uma recuperação da questão da aviação civil", afirmou.

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