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Petrobras sobe mais de 5% após novo presidente falar em conciliar consumidor e acionista

Joaquim Silva e Luna quer reduzir a volatilidade dos preços de combustíveis sem desrespeitar a paridade internacional

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São Paulo

As ações da Petrobras subiram mais de 5% nesta segunda-feira (19), após o novo presidente da estatal, o general Joaquim Silva e Luna, afirmar que reduzirá a volatilidade dos preços de combustíveis sem desrespeitar a paridade internacional.

"Não há dúvidas de que os principais desafios são: fazer a Petrobras cada vez mais forte, trabalhando com visão de futuro, com segurança, respeito ao meio ambiente, aos acionistas e à sociedade em geral, de forma a garantir o maior retorno possível ao capital empregado", afirmou o executivo em sua cerimônia de posse nesta segunda-feira.

Ao final da sessão, os papéis da Petrobras subiram 5,44% (preferenciais, sem direito a voto) e 5,03% (ordinárias, com direito a voto).

General da reserva e novo presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, tomou posse nesta segunda-feira (19)
General da reserva e novo presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, tomou posse nesta segunda-feira (19) - Paulo Belote/Agência Petrobras

A afirmação, veio após o presidente anterior da estatal, Roberto Castello Branco, ter sido substituído em meio a críticas do presidente Jair Bolsonaro por uma alta expressiva dos preços de diesel e gasolina no Brasil, que refletiam avanço das cotações no exterior.

"Além disso, o novo presidente fez questão de ressaltar que tem como meta garantir o maior retorno possível ao capital empregado. O mercado não acreditava em uma virada brusca de ideologia para a empresa, mas, sem dúvida, esse discurso foi bastante amigável e positivo para o investidor", afirmou o analista da Clear Corretora, Rafael Ribeiro.

"Agora, resta saber como serão adotadas as medidas, mas, no primeiro impacto, o discurso foi bem recebido pelo mercado."

Segundo o analista de research da Ativa Investimentos Ilan Arbetman, apesar de o tom adotado por Luna ter sido conciliatório, parcimonioso e benigno, a aplicação das transformações no dinamismo de preços e a manutenção da paridade tendem a ser antagônicas.

"Acreditamos, atualmente, que o movimento de suavização nos preços poderia ser criado através de um fundo de estabilização, que apesar de ser mais benigno que uma medida mais drástica como o cancelamento da paridade, requererá habilidade e possivelmente, capital político até ser formulada de forma definitiva e aplicada", afirmou o analista em nota.

"Uma vez que a mudança no comando da petrolífera fora motivada pela insatisfação do Executivo com a política atual de preços, acreditamos que uma definição sobre os rumos da nova abordagem quanto a política de preços será o primeiro e principal desafio da nova gestão."

Apesar de as ações da Petrobras terem impulsionado a Bolsa de Valores brasileira para o terreno positivo ao longo da tarde, o Ibovespa, principal índice acionário do país, terminou o pregão desta segunda-feira (19) em queda de 0,15%, aos 120.933 pontos, em sessão volátil marcada por ajustes depois de a Bolsa brasileira ter tido três semanas de ganhos.

O recuo do índice também veio na esteira dos mercados internacionais. Nos EUA, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq Composite caíram 0,36%, 0,53% e 0,98%, respectivamente.

O volume financeiro da sessão somou R$ 52 bilhões, com influência do vencimento de contratos de opções sobre ações, que movimentou R$ 17,2 bilhões, sendo R$ 13,1 bilhões em opções de compra e R$ 4,1 bilhões nas de venda.

Outra notícia positiva do dia que ficou no radar dos investidores foi o IBC-Br (Banco Central), divulgado na manhã desta segunda (19). Segundo a autoridade monetária, a atividade econômica cresceu 1,7% em fevereiro, acima das expectativas (0,9%) e afastando os cenários mais pessimistas para o trimestre.

O índice permaneceu acima patamares observados antes da pandemia de Covid-19 e é o maior desde maio de 2015.

Segundo a analista da Rico Investimentos, Paula Zogbi, no entanto, é importante lembrar que indicadores preliminares de março já mostram que a atividade foi negativamente impactada pela piora na pandemia e as medidas de isolamento mais severas adotadas no mês passado.

"Nosso time de economia estima queda de 5,7% mês a mês em março", afirmou.

"O cenário ainda é incerto para o mercado no curto prazo. A decisão sobre o Orçamento de 2021 a ser tomada na quinta-feira [21] é o grande ponto de atenção. Sem uma definição que demonstre controle da situação e priorização da saúde fiscal, aumentam os riscos do teto de gastos ser desrespeitado", completou Zogbi.

O dólar, por sua vez, encerrou a sessão desta segunda-feira (19) em queda de 0,57%, a R$ 5,5530, na mínima em cerca de um mês.

Foi a quinta queda consecutiva ante o real, com investidores colocando algum alívio nos preços sobre o rumo do Orçamento e diante de um novo dia de enfraquecimento da moeda americana no mundo.

De forma geral, investidores globais seguiram repercutindo a percepção de que o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) manterá estímulos por tempo indeterminado, enquanto a retomada econômica no mundo amplia a demanda por ativos mais arriscados, caso das moedas emergentes —grupo do qual o real faz parte.

(Com Reuters)

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