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Startups testam novas formas de financiar alunos e escolas

Ideias incluem pagamento só depois da conclusão do curso e uso de indicadores pedagógicos para dar crédito

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São Paulo

Enquanto a crise provocada pela pandemia cria desafios para alunos e escolas, startups buscam novos formatos para o financiamento do ensino.

Uma das ideias testadas por essas companhias é concentrar investimentos em cursos profissionalizantes de curta duração para aumentar as chances de o aluno entrar logo no mercado sem atrasar o pagamento da dívida.

As startups também tentam ser mais eficientes do que os bancos na análise de crédito do setor, ao incluir critérios pedagógicos e a reputação das instituições de ensino na análise feita antes de dar crédito.

Na startup de ensino remoto curitibana Kenzie, de ensino de programação, por exemplo, o aluno pode deixar para pagar o curso apenas depois de formado.

Em vez de mensalidades fixas, quem deixa para quitar o curso depois passa a pagar à startup 17% do salário quando consegue um emprego.

Na modalidade, o preço do curso, anual, passa para R$ 40 mil, em vez dos R$ 22 mil pagos enquanto o aluno está estudando.

André Dratovsky, da Elleve - Karime Xavier/Folhapress

Mesmo custando quase o dobro, a maior parte dos estudantes opta por deixar para pagar depois, diz Daniel Kriger, presidente da Kenzie. "É uma forma que o aluno tem de viabilizar o investimento", afirma.

Caso o desconto do salário do aluno durante cinco anos não seja suficiente para cobrir todo o valor do curso, a dívida é extinta e as aulas são consideradas pagas. Segundo Kriger, o modelo é viável porque a demanda por profissionais de tecnologia está alta, o que aumenta a empregabilidade dos profissionais formados.

Outra empresa nova do setor, a Elleve, anunciou neste mês ter conseguido R$ 28 milhões com investidores para financiar alunos de cursos livres e técnicos em áreas como tecnologia, saúde, finanças e educação corporativa.

André Dratovsky, sócio da startup, diz que a ideia é antecipar o pagamento do curso para as escolas e receber esse valor, a prazo, do aluno.

O empresário diz que sua startup seleciona as instituições com as quais quer ter parceria, considerando o potencial delas de colocar alunos no mercado. Quanto melhor o curso, melhores as condições de crédito para o estudante, que também tem seu perfil e comportamento analisado pela empresa na hora de negociar o financiamento.

Dratovsky diz que a maior parte das escolas que atuam nesse setor de ensino profissionalizante são de pequeno porte e não conseguem financiamento bancário. "Um banco não aceita matrícula de aluno como garantia."

Segundo o empresário, a Elleve tem 60 escolas parceiras e quer fechar o ano com 300.

O setor de cursos profissionalizantes também chamou atenção da veterana Pravaler, no mercado desde 2006 e que já ofereceu crédito para 170 mil alunos fazerem graduação.

A companhia lançou neste ano financiamento para alunos de cursos em áreas como estética, finanças, marketing e programação em 20 escolas parceiras. Com isso, quer chegar a 1 milhão de alunos atendidos até 2025.

Rafael Baddini, sócio-diretor da empresa, diz que o objetivo é acelerar a atuação em novos segmentos, levando em conta que a maior parte das pessoas que buscam aperfeiçoamento não está na graduação.

Badini também diz acreditar na hipótese de que o curso técnico prepare o aluno rapidamente para o mercado e traga retorno rápido para a empresa, mas ressalva que o projeto ainda é um piloto e essa tese depende de comprovação na prática.

O Pravaler também vem experimentando atuar com crédito para instituições de ensino a partir da internet. Como muitos dos pagamentos no setor são feitos por boleto, as escolas têm dificuldade para antecipar valores a receber, afirma.

Esse desafio é enfrentado por Danilo Costa, fundador da EducBank. O empresário diz que a ideia de sua startup veio da dificuldade que sentiu como dono de rede de escolas para controlar o fluxo de caixa, por causa da alta inadimplência.

Sua startup se propõe a gerenciar os recebimentos das mensalidades de alunos do ensino básico. Costa explica que a empresa garante o pagamento das mensalidades, antecipando o valor quando a família atrasa, em troca de uma comissão. "Passamos a correr o risco no lugar da escola."

Costa diz que o EducBank avalia e seleciona as escolas com as quais trabalha. Sua análise para definir como será a relação financeira leva em consideração o custo benefício do curso. A ideia é que cursos de alta qualidade e bom preço são mais valorizados pelos pais e, por isso, o risco de inadimplência é menor.

Neste ano, a empresa recebeu prêmio de 10 mil libras (cerca de R$ 75 mil) em concurso de startups de alunos e ex-alunos da London School of Economics. Costa diz esperar apoiar escolas em R$ 20 milhões em 2021.

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