Andrade Gutierrez negocia venda de participação na CCR por R$ 4,6 bi

Empresa recebeu oferta da IG4 Capital Investimentos, de R$ 15,44 por ação

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São Paulo

A Andrade Gutierrez avalia a venda de sua participação de 14,86% na CCR (empresa administradora de concessões de infraestrutura), após uma oferta feita pela IG4 Capital Investimentos, o que fez as ações da companhia subirem 10,25% nesta sexta-feira.

No comunicado à CCR, a Andrade Gutierrez relatou que a proposta contempla o pagamento de R$ 15,44 por ação, totalizando R$ 4,6 bilhões, e inclui cláusula de earn-out —pagamento com base no desempenho do negócio após a aquisição— que pode elevar ainda mais o valor da operação.

Segundo a CCR, por se tratar de decisão de um dos acionistas, a companhia não poderia comentar. O grupo é responsável pela gestão e manutenção de 3.955 quilômetros de rodovias em seis estados. Também administra aeroportos no Brasil e no exterior, além de serviços de transporte de passageiros em metrô, VLT e barcas, entre outros negócios.

Segundo fonte ouvida pela Folha, a venda de um dos ativos mais antigos da Andrade Gutierrez é parte de uma estratégia para abater a dívida da empresa. Se concretizado, o negócio deve reduzir em cerca de 95% a dívida da companhia e abrir espaço para novos investimentos. No momento, não há planos de vender outros ativos.

A CCR disse que os demais acionistas integrantes do bloco de controle –Camargo Corrêa, com 14,86%, e Soares Penido, com 15,05%– terão 30 dias para exercer os chamados direitos de preferência de compra, conforme termos no acordo de acionistas. Caso nenhum deles manifeste interesse em adquirir as ações, a operação será realizada em 60 dias.

O analista do Credit Suisse Regis Cardoso considerou o anúncio positivo e que estabelece um valor muito mais elevado para a empresa, embora tenha citado que a operação não desencadeia tag along —instrumento de proteção a acionistas minoritários que garante a eles o direito de saírem de uma sociedade, caso o controle da empresa seja adquirido por um investidor que até então não fazia parte da mesma.

"Essa transação corrobora nossa visão de que a CCR está em boa posição para licitar novas concessões de infraestrutura", afirmaram os analistas do Bradesco BBI em nota a clientes.

"Além disso, a IG4 Capital possui ampla expertise no setor de saneamento, o que pode abrir espaço para que a CCR altere seu estatuto para investir no setor de forma orgânica e por meio de aquisições", escreveram Victor Mizusaki e Pedro Fontana.

A IG4 tem investimentos no Brasil e em outros países da América do Sul. Um deles é a Iguá Saneamento, que venceu o leilão de um dos blocos da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro). A empresa também tem negócios no Peru e no Chile.

Com Reuters

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