Descrição de chapéu Financial Times Ásia

Bancos chineses são acusados de financiar desmatamento em todo o mundo

Relatório solapa esforços de Pequim para ser vista como líder mundial na campanha contra mudança do clima

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Christian Shepherd Thomas Hale
Pequim e Hong Kong | Financial Times

Os bancos chineses são a segunda maior fonte de financiamento para as commodities implicadas no desmatamento de selvas tropicais, de acordo com pesquisas que lançam dúvidas sobre as ambições de Pequim de ser líder mundial na luta contra a mudança do clima.

Dados analisados pela Forest & Finance, uma coalizão mundial de ONGs, demonstram que, de janeiro de 2016 a abril de 2020, instituições chinesas forneceram US$ 15 bilhões em empréstimos e serviços de subscrição a companhias que comerciam commodities relacionadas ao desflorestamento. no Sudeste Asiático, Brasil e África.

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As companhias chinesas envolvidas no comércio de celulose e papel, óleo de palma, soja, borracha e madeira em geral operam fora do país, e em muitos casos são financiadas por bancos chineses, o que expõe a influência internacional dos bancos do país. O Brasil respondeu pela maior parte do dinheiro relacionado a desflorestamento, mas a maior parte dos empréstimos foram realizados dentro do país.

As constatações do relatório, que estima que a proporção da captação de uma companhia é dedicada a atividades que colocam florestas em risco, coincidiram com uma determinação renovada, por parte de Pequim, de limitar as emissões de gases causadores do efeito estufa. O presidente Xi Jinping prometeu no ano passado que a China chegaria à “neutralidade de emissões de carbono” no máximo em 2060.

O líder chinês, Xi Jinping - Ju Peng - 20.abr.21/Xinhua

Ativistas do clima apontaram, porém, que os investimentos da China e os empréstimos de companhias do país a projetos de infraestrutura e comércio que portam riscos ambientais elevados contrariam a meta ambiciosa estabelecida por Xi.

O Banco Industrial e Comercial da China foi o maior provedor de empréstimos e de serviços de subscrição entre as instituições estudadas para o relatório, com transações em valor total de US$ 2,2 bilhões (R$ 11,8 bilhões). A Sinochem, uma companhia química estatal chinesa, foi a maior beneficiária de financiamentos, recebendo US$ 4,6 bilhões (R$ 24,8 bilhões), direcionados majoritariamente às suas operações no segmento da borracha.

O comércio das commodities incluídas no banco de dados da Forest & Finance responde por cerca de dois quintos do desflorestamento mundial. Pesquisas apontam que, levando em conta apenas o seu efeito sobre o desflorestamento, esse comércio tenha contribuído para cerca de 5% das emissões de gases causadores do efeito estufa.

“As grandes economias do planeta falam alto sobre agir com relação ao clima mas continuam a fechar os olhos ao financiamento de atividades de desflorestamento em áreas tropicais pelos seus bancos”, disse Tom Picken, que comanda a campanha da Forests & Finance.

Picken explicou que o objetivo do banco de dados era demonstrar o grande influxo de financiamentos de bancos chineses que ficam bem aquém dos padrões do “financiamento verde”, e pressionar os bancos da China a adotar salvaguardas mais rigorosas a fim de evitar financiar o desflorestamento.

“No momento existem poucas implicações para bancos que financiem desflorestamento no exterior, mesmo que o façam deliberadamente”, ele disse,

Em 2017, o sistema bancário chinês superou o da zona do euro e se tornou o maior do planeta pelo critério de ativos. Também há sinais de que esteja exercendo influência crescente sobre outras economias em desenvolvimento.

Uma pesquisa publicada pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) no ano passado constatou que os bancos chineses se tornaram os maiores credores internacionais em cerca de metade das economias emergentes e em desenvolvimento do planeta. O estudo acrescentou que suas atividades de empréstimos “apresentam forte correlação com o comércio internacional”.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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