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Infraestrutura para fintechs é oportunidade, diz sócio de fundo que captou US$ 200 milhões

Para Mário Mello, amadurecimento do mercado permite atenção a startups que estão prestes a se tornar unicórnios

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São Paulo

Após a explosão de fintechs no Brasil nos últimos anos, as grandes oportunidades estão disponíveis para empresas que forneçam infraestrutura para a operação dessas milhares de startups, na opinião de Mário Mello, 54, sócio do Valor Capital Group, gestora americana de investimentos em startups e ex-diretor do Paypal para América Latina.

Mello também preside o Valor Latitude, empresa lançada no formato de Spac, criada para levantar recursos na Bolsa e, com eles, adquirir uma companhia dentro de parâmetros pré-definidos. No caso, foram levantados US$ 200 milhões em maio para comprar uma startup que atua principalmente no mercado brasileiro em setores como finanças, educação, saúde, comércio eletrônico ou logística.

A companhia, que deve ser adquirida em até dois anos, será automaticamente listada na bolsa de tecnologia americana.

Segundo Mello, o amadurecimento do mercado brasileiro permite que o fundo possa voltar sua atenção a empresas que estão prestes a se tornar unicórnios (startups com valor superior a US$ 1 bilhão).

Retrato de Mário Mello, sentado em uma cadeira
Mário Mello, presidente do Valor Latitude, que captou US$ 200 milhões para adquirir startup com atuação no Brasil - Divulgação

Por que optaram por lançar uma Spac? A Valor Capital tem fundos para empresas em fase inicial e em estágio de crescimento. Agora vamos olhar para as que estão na maturidade.

A vantagem do Spac em relação à abertura de capital é que o Spac tem mais assertividade, mais transparência e menos flutuação no preço das ações da empresa. E você toma uma decisão muito mais rápido depois de escolhido o alvo da aquisição, de cerca de 30 dias.

Por que trazer esse investimento para o Brasil agora? Estamos no Brasil desde 2011. Fomos um dos primeiros fundos aqui e investimos no início de empresas como Gympass, Stone, CargoX. Agora vemos no país empresas em fase próxima de realizar um IPO ou de se tornarem unicórnio no ecossistema brasileiro.

Como os investidores estrangeiros estão vendo o mercado brasileiro e seus desafios econômicos? Temos histórico de crescimento de empresas em cenário anti-cíclico. Começamos a investir quando o Brasil não crescia. E demos mais de dez vezes de retorno no fundo.

Se olharmos as macrotendências, o Brasil tem concentrações em muitos setores e há tecnologias defasadas neles. É um país com burocracias, mas que, por outro lado, pode ganhar eficiência.

Como questões como juros e dólar afetam o mercado de startups? Olhamos a maturidade da empresa. Quando pensamos no dólar, pode parecer um problema, mas a alta dele deixa os ativos baratos para o investidor. Toda moeda tem dois lados. Nosso papel é encontrar o ativo que, independente da condição de mercado, mostra um histórico de resultados e foco no consumidor.

No setor de fintechs, um entre os quais vocês investem, há um volume alto de aportes em startups. O que provoca isso? Antes, havia uma barreira de entrada alta. Você precisava de milhões de dólares para montar uma instituição financeira. Agora você pode iniciar sua empresa na nuvem e começar bem pequeno.

Além disso, o Banco Central tem um mérito enorme e não recebe os créditos que merecia na criação de um ecossistema extremamente competitivo para fintechs. E, em terceiro lugar, temos talentos altamente reconhecidos.

Vocês esperam que haja nova concentração no setor a partir de aquisições? Hoje, não são só fintechs que atuam como bancos. As Americanas têm uma fintech. A Magalu tem uma fintech. Em várias indústrias elas estão sendo criadas. Esse é um setor horizontal.

Com tantas fintechs competindo, é possível que alguma seja grande e satisfaça as expectativas dos fundos? Nossa tese hoje, como fundo, é de encontrar empresas de saas (software como serviço). Tem gente que está viabilizando 500 dessas empresas, criando APIs (integrações entre sistemas), fornecendo infraestrutura. Aí está a oportunidade de concentração, de crescimento.

Que outros setores interessam a vocês? Olhamos o mercado de seguros, em que ainda não houve a revolução do mercado de fintechs, mas onde há um movimento forte da Susep (Superintendência de Seguros Privados) atualizando a regulação.

Também olhamos forte para saúde, educação, blockchain e cripto.


Raio-X

Mário Mello, 54, é presidente do Valor Latitude e sócio do Valor Capital Group. Foi diretor-geral do PayPal para América Latina por oito anos e foi vice-presidente da Visa para a região. É formado em engenharia pela Universidade de São Paulo.

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