Descrição de chapéu Financial Times

Presidentes de empresas britânicas terão cortes de salário

Remuneração caiu em mais de 30% entre líderes de empresas do índice FTSE 100

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Attracta Mooney
Financial Times

A remuneração dos executivos nas maiores companhias do Reino Unido caiu mais de 20% desde o começo da pandemia, quando o coronavírus trouxe um período de contenção no mundo corporativo.

Mais de metade dos presidentes-executivos das 50 primeiras companhias do índice FTSE 100 que já publicaram seus relatórios anuais de remuneração tiveram seus salários congelados em 2021, de acordo com uma análise da PwC, ante 35% no ano passado.

As decisões de remuneração se seguem a apelos de grandes investidores às empresas para que os salários dos principais executivos reflitam a experiência de todas as partes interessadas, entre as quais acionistas e empregados, durante a pandemia.

A pesquisa da PwC determinou que a remuneração total dos presidentes-executivos, incluindo salários, contribuições para pensões e bonificações, caiu em média em 22%, para 3,5 milhões de libras (R$ 25,8 milhões), em 2020.

Mulher com casaco passa ao lado de parede de mármore
Mulher caminha ao lado do logo do London Stock Exchange Group, em Londres - Tolga Akmen/AFP

Phillippa O’Connor, que comenda a área de emprego e remuneração da companhia, disse que era claro que “as empresas exercitaram a cautela ao determinar os resultados de desempenho no ano de 2020 e ao estabelecer a base de remuneração para 2021”.

Ela acrescentou que embora isso reflita “as realidades comerciais subjacentes de muitas empresas”, também demonstra que muitos comitês de remuneração decidiram levar em consideração a experiência mais ampla de todas as partes interessadas.

A despeito da contenção com relação a salários, surgiram diversas rebeliões de acionistas com relação ao pagamento de executivos em empresas britânicas como a Foxtons e a Rio Tinto, nas últimas semanas.

Sue Noffke, que comanda a área de ações britânicas na administradora de fundos Schroders, que no ano passado instou os presidentes de empresas a compartilhar dos apertos gerados pela pandemia, disse que muitas empresas haviam escutado os apelos dos investidores por contenção nas remunerações, mas alertou que continuam a existir “aqueles que não entenderam a ideia”.

“E a resposta a isso será dura”, ela acrescentou.

Peter Reilly, diretor sênior de governança empresarial no segmento de comunicação estratégica da FTI Consulting, disse que a temporada de assembleias gerais de acionistas representava “um teste quanto à evolução das expectativas dos acionistas”.

“Já que a Covid-19 intensificou o foco quanto à efetividade das empresas ao balancear os interesses de todas as partes interessadas, os acionistas desafiarão todas as companhias a fazer ainda mais para incorporar desdobramentos mais amplos e considerações quanto a todos os interessados, no processo decisório de seus conselhos”, ele acrescentou.

O’Connor alertou que empresas que forem em frente com pacotes muito elevados de remuneração podem enfrentar rebeliões de acionistas.

“Haverá escrutínio mais intenso em torno de quaisquer aumentos que sejam mais altos do que os da força de trabalho em geral, e quanto a incentivos que não se alinhem ao desempenho da empresa ou desconsiderem a abordagem da empresa quanto a assuntos como dividendos e assistência governamental”, ela disse.

A pesquisa da PwC também demonstrou que cerca de um terço das companhias a divulgar informações haviam cancelado, suspendido ou reduzido suas bonificações em 2020, e que os incentivos médios aos presidentes-executivos haviam caído de pouco menos de 1,1 milhão de libras (R$ 8,1 milhões) para 843 mil libras (R$ 6,2 milhões).

As companhias também reduziram seus planos de incentivo de longo prazo em 2021, com 45% delas realizando alguns ajustes em sua estrutura de pagamentos de incentivo. Isso incluiu abrir exceções para ajustar as normas de forma a impedir ganhos excepcionalmente altos, ou para reduzir ou cancelar integralmente os pagamentos de incentivo.

Tradução de Paulo Migliacci

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