Vale estuda acelerar distribuição de dividendos para evitar taxação na reforma tributária

Com lucro recorde em 2020, empresa já anunciou liberação de R$ 27 bilhões no ano para acionistas

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Rio de Janeiro

Após registrar lucro recorde no primeiro semestre de 2021, a Vale analisa acelerar a distribuição de dividendos extraordinários a seus acionistas para atender a nova estratégia de endividamento e evitar possível bitributação de lucros já acumulados após a reforma tributária em discussão no Congresso.

Em balanço divulgado nesta quarta (28), a mineradora anunciou que distribuirá a seus acionistas ao menos US$ 5,7 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) referentes ao resultado de R$ 70,6 bilhões acumulado nos primeiros seis meses do ano.

O valor refere-se ao retorno mínimo previsto em sua política de remuneração aos acionistas, mas em teleconferência com analistas nesta quinta (28) a direção da companhia afirmou que a cifra deve ser elevada.

O diretor financeiro da Vale, Luciano Siani, disse que a gestão já tinha a intenção de distribuir dividendos extraordinários para atender a um plano de aumentar a alavancagem, indicador que relaciona o tamanho da dívida à geração de caixa de uma empresa.

Logo da mineradora Vale em Brumadinho, Minas Gerais
Logo da mineradora Vale em Brumadinho, Minas Gerais - Adriano Machado - 21.fev.19/Reuters

Assim, parte do caixa deve ser destinado a melhorar o retorno aos acionistas pela distribuição extraordinária de dividendos e por novo programa de recompra de ações, que aumenta o valor dos papéis disponíveis no mercado.

Segundo Siani, a meta é elevar a dívida expandida da companhia para US$ 15 bilhões (R$ 77 bilhões, pela cotação atual), ante os US$ 11,5 bilhões (R$ 57 bilhões) registrados no fim do segundo trimestre.

"A forma de chegar lá vai ser avaliada ao longo do tempo e nos permite ser mais agressivos no retorno para os acionistas" afirmou o executivo. "Deve ser feito por combinações de recompra de ações e dividendos extraordinários."

Questionado sobre os efeitos da reforma tributária sobre os investimentos, Siani disse que a companhia pode também antecipar dividendos extraordinários sobre a reserva de lucros hoje no caixa da empresa para evitar bitributação.

Ele argumenta que esses lucros já foram taxados pelo imposto de renda, que deve ser reduzido na reforma para compensar a taxação dos dividendos. "As reservas de lucros já estão no balanço e a gente vê legitimidade de distribuir durante o exercício para preservar a equidade."

Vista pelo mercado como boa pagadora de dividendos, a Vale suspendeu temporariamente a remuneração aos acionistas após o desastre de Brumadinho (MG), que deixou 272 mortos após o rompimento de uma barragem de rejeitos em janeiro de 2019.

A distribuição foi retomada em 2020 e, desde então, já foram pagos R$ 45,2 bilhões em dividendos e juros sobre o capital próprio. Em 2019, a empresa distribuiu outros R$ 7,5 bilhões, mas referentes ao resultado de 2018.

O retorno aos acionistas está na lista de prioridades da gestão da companhia, ao lado do aumento da segurança das operações e da reestruturação dos negócios.

Com a escalada do preço do minério e a retomada de minas e barragens interditadas após o desastre, a perspectiva é que os lucros da empresa se mantenham alta, garantindo elevados ganhos aos acionistas da companhia.

No encontro desta quinta, o presidente da mineradora, Eduardo Bartolomeo, disse que o programa de recompra de ações anunciado em abril já atingiu 45% da meta inicial, com o desembolso de US$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 13 bilhões).

​"Estou seguro que cumpriremos nosso compromisso com a maximização do retorno aos nosso investidores", afirmou.

Erramos: o texto foi alterado

A Vale gastou até o momento US$ 2,6 bilhões com o programa de recompra de ações, e não US$ 4,6 bilhões, como publicado na versão anterior dessa reportagem. O texto foi corrigido.

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