Famílias chefiadas por mulheres e negros são as que mais perderam qualidade de vida

Novo índice do IBGE avalia desigualdade entre grupos no Brasil

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Rio de Janeiro

Em um contexto de desigualdade social no Brasil, famílias chefiadas por mulheres, pretos, pardos e pessoas com menos escolaridade e renda sofrem uma perda maior de qualidade de vida.

A conclusão é de um novo índice divulgado nesta sexta-feira (26) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Trata-se do IPQV (Índice de Perda de Qualidade de Vida).

O estudo, de caráter experimental, utiliza variáveis da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) de 2017 e 2018, também produzida pelo instituto.

Para calcular a perda de qualidade de vida em diferentes grupos da população, o IPQV olha para uma série de indicadores nas áreas de moradia, serviços de utilidade pública, saúde e alimentação, educação, acesso a serviços financeiros, transporte e lazer.

Cartazes anunciam vagas de trabalho no centro de São Paulo - Mathilde Missioneiro - 30.set.2020/Folhapress

O índice vai de zero a um. Quanto mais perto de zero, menor é a perda de qualidade de vida do grupo em questão.

Em outras palavras, valores menores sinalizam que as pessoas estão em uma situação considerada mais próxima da ideal em termos de bem-estar.

Entre 2017 e 2018, o Brasil teve IPQV de 0,158. À época, o país ainda sofria os reflexos da recessão econômica registrada nos anos anteriores.

Na divisão por grupos, é possível observar que a perda de qualidade de vida foi maior nas famílias chefiadas por mulheres (0,169) do que naquelas com homens como pessoas de referência (0,151).

O índice feminino superou a média nacional, enquanto o masculino ficou abaixo.

A diferença também aparece no recorte por cor ou raça. Segundo o estudo, famílias chefiadas por pretos e pardos tiveram um IPQV estimado em 0,185, maior do que o dos brancos (0,123) e 17% acima do valor nacional (0,158).

Segundo o IBGE, a intenção do levantamento é construir uma forma de comparação que mostre as desigualdades entre os grupos.

A perda de qualidade de vida também muda conforme a educação e a renda da população.

Na análise por nível de estudo, as famílias chefiadas por pessoas sem instrução têm o maior IPQV: 0,255.

Na outra ponta da lista, estão as famílias cuja pessoa de referência tinha ensino superior completo. O índice dessa camada foi de 0,076, o menor da pesquisa. É menos da metade do valor do Brasil (0,158).

Segundo o IBGE, a perda de qualidade de vida diminui conforme a renda cresce. No recorte por rendimento, o grupo dos 10% mais pobres teve o maior IPQV, calculado em 0,260.

O resultado equivale a mais de quatro vezes o índice dos 10% mais ricos, estimado em 0,063, o menor do estudo.

Há, ainda, análises por regiões e unidades da federação. Norte (0,225) e Nordeste (0,209) mostraram índices piores do que o nacional (0,158).

O Centro-Oeste (0,159), por sua vez, ficou em linha com o dado brasileiro. Já as regiões Sul (0,115) e Sudeste (0,127) tiveram um IPQV melhor do que o nacional.

Entre as 27 unidades da federação, o Maranhão mostrou a maior perda de qualidade de vida, com IPQV igual a 0,260. Santa Catarina registrou a menor (0,100).

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