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China importando carne do Brasil outra vez é presente de Natal que será aberto em 2022

Preços internos devem reagir, embora tenham um limite, mas efeitos das exportações começam só no próximo ano

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São Paulo

A China deu um belo presente de Natal para o Brasil, mas ele só poderá ser aberto no próximo ano. Essa é a avaliação de participantes desse mercado de proteínas.

Quanto a reflexos para o consumidor, o valor da carne já está precificado, e as alterações serão pequenas, segundo avaliações do Ministério da Agricultura.

Após três meses e meio de interrupção nas compras de carne bovina brasileira, a China anunciou o retorno ao mercado brasileiro. É uma boa notícia, embora os reflexos para o setor só serão sentidos a partir de meados de fevereiro e de março, quando a China é mais ativa no mercado, diz Bruno de Jesus Andrade, diretor de operações do Imac (Instituto Mato-Grossense da Carne).

Homem de branco empurra carcaças de boi presas em gancho, vistos por trás de vidro
Funcionário de frigorífico acompanha pesagem da carne em Xapuri, no Acre - Lalo de Almeida-27.nov.2019/Folhapress

Para Ricado Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), o anúncio é extremamente positivo para a carne bovina, mas mostra uma retomada de confiança dos chineses no produto brasileiro, o que é bom para todas as proteínas. É um bom presente de Natal para todo o setor, afirma ele.

A volta da China retira uma série de incertezas sobre o mercado brasileiro e elimina as especulações de quanta carne bovina sobraria no país e quais seriam os efeitos disso sobre toda a cadeia de proteínas, principalmente sobre aves e suínos, diz Santin.

Na avaliação do diretor do Imac, porém, os chineses não deverão voltar às compras com o mesmo apetite dos meses anteriores à interrupção, ocorrida em setembro.

Naquele mês, o Brasil exportou 187 mil toneladas de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada. A China ficou com 112 mil toneladas. Um volume recorde.

Na avaliação de Andrade e de Santin, esse apetite menor deverá ocorrer porque eles estão recompondo o rebanho de suínos, além de terem ampliado o leque de fornecedores de carne bovina.

Os reflexos de preços podem ser inevitáveis neste período de final de ano, quando a demanda cresce, há o pagamento do 13º salário e começa a chegar novo auxílio financeiro do governo. O preço da arroba de boi deve reagir e permitir um ajuste nos preços internos das proteínas.

Orlando Leite Ribeiro, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, não vê grandes variações de preços no mercado interno, porque eles já estão ajustados.

Basta olhar que, quando houve a interrupção, os preços internos não caíram, afirma ele.

Para Andrade, não existe perspectiva de que o preço da carne bovina possa cair, uma vez que a oferta está baixa, mas também não há espaço para grandes valorizações.

Os preços já são elevados, e os consumidores estão migrando para outras proteínas. "O que estamos enxergando daqui para a frente, é uma manutenção dos preços", diz ele.

O diretor do Imac acredita que a demanda maior neste final de ano possa pressionar os preços, mas janeiro será um período de possível depreciação, devido aos grandes gastos dos consumidores no início de ano.

Há uma falta de equilíbrio atualmente entre a oferta de animais e a demanda. Esse equilíbrio só virá a partir do segundo semestre de 2022, na avaliação de Andrade.

A volta da China ao mercado brasileiro de bovinos não prejudica aves e suínos, segundo Santin. O preço do boi volta à normalidade e permite mais transparência ao mercado de proteínas. Afetam mais o mercado brasileiro os abates antecipados de suínos na China do que o boi, diz ele.

Os números da China são sempre superlativos e essa normalização de mercado será positiva para todos os setores, afirma o presidente da ABPA.

Neste ano, a produção de carnes bovina, suína e de aves somam 65 milhões de toneladas na China, ainda insuficiente para o consumo interno. A produção de carne suína ficará em 43,7 milhões de toneladas, para um consumo de 48,6 milhões.

Na avaliação dele, a China ainda será um bom mercado para as proteínas bovina, suína e de aves, em 2022.

A saída dos chineses do mercado brasileiro provocou uma redução média dos preços de exportação da carne bovina brasileira. Antes da interrupção, a tonelada estava em US$ 5.790. No final de novembro, recuou para US$ 4.920.

A arroba de boi, que chegou a R$ 322 em julho, caiu para R$ 254 no final de outubro e esteve em R$ 310 nesta terça-feira (14).

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