Descrição de chapéu PIB

Consumo cresce 0,9% no terceiro trimestre, mas investimento e exportação puxam PIB para baixo

Consumo das famílias é o principal componente das contas nacionais, segundo o IBGE

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São Paulo e Rio de Janeiro

Motor da economia brasileira, o consumo das famílias cresceu 0,9% no terceiro trimestre de 2021, em relação aos três meses anteriores, após queda de 0,2% no trimestre anterior. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O consumo das famílias é o principal componente do PIB (Produto Interno Bruto) sob a ótica da demanda, respondendo por cerca de 60% do cálculo do indicador.

O crescimento está relacionado, segundo o IBGE, à reabertura de diversas atividades de serviços, que foram beneficiadas por uma demanda represada, principalmente nas famílias de maior renda, que pouparam muito durante a pandemia. O consumo, no entanto, ainda não voltou ao nível pré-pandemia.

O instituto também cita como fator positivo uma migração do consumo de bens para o de serviços, principalmente para aqueles que exigem interação e aglomerações, como bares e restaurantes e transporte de passageiros.

"Houve uma certa migração do consumo das famílias de bens para serviços, e os serviços têm muito peso na economia e no consumo. Desde alimentação até alojamento, transporte, saúde mercantil, toda a parte de recreação etc.", afirma a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

O IBGE afirma que o crédito ficou mais caro, mas ainda houve crescimento nas concessões para as famílias. Citou também o efeito de programas de apoio do governo, como o auxílio emergencial, e a ligeira melhora nos indicadores de emprego, apesar da queda na massa salarial.

Apesar de o crescimento do consumo ter sido modesto (0,9%), é um item que tem peso relevante no PIB e contribuiu para que a economia tivesse uma queda menor nesse trimestre. O IBGE lembra ainda que esses outros serviços ainda não voltaram ao patamar pré-pandemia, mas que a queda passou de -7,8% no segundo trimestre para -3,8% no terceiro, na comparação com o final de 2019.

O aumento da inflação, a alta dos juros e a redução da renda do trabalho estão entre os fatores que reduziram o poder de compra dos brasileiros no período.

Investimentos

O IBGE também informou nesta quinta, na divulgação do PIB, que os investimentos produtivos na economia brasileira, medidos pelo indicador FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), caíram 0,1% no trimestre, segunda queda consecutiva.

O instituto informou também que houve variação negativa dos estoques, por causa da agropecuária, após a exportação de soja estocada, principalmente, algo sem relação com a indústria. A XP e o Itaú calculam que esse fator tirou 0,5 ponto percentual do PIB. Ou seja, a demanda agregada teria crescido 0,4% no trimestre.

O economista do Itaú Luka Barbosa diz que essa questão da demanda é um fator positivo, mas destaca que há muita volatilidade nos dados e que não tende a dar muita importância para esse fator. Ele afirma também que o desempenho do consumo não surpreendeu.

O PIB sob a ótica da demanda contempla ainda exportações, importações e consumo do governo.

As exportações recuaram 9,8% entre julho e setembro, em relação ao trimestre anterior. As importações tiveram queda de 8,3% no trimestre.

"A balança de bens e serviços negativa acabou puxando a variação do PIB para baixo na comparação com o trimestre anterior. Cabe destacar, no entanto, que na comparação interanual, ambas as atividades tiveram alta acentuada, muito por conta da retomada do turismo internacional, mas a contribuição ao crescimento ainda ficou negativa, já que as importações (20,6%) superaram em muito as exportações (4,0%)", afirma a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Por fim, o consumo do governo cresceu 0,8% no mesmo período.

Na comparação com o mesmo período de 2020, a despesa de consumo das famílias registrou resultado positivo pelo segundo trimestre seguido (4,2%), influenciada pelo aumento na ocupação no mercado de trabalho, pela expansão do crédito a pessoas físicas e pelo avanço da vacinação, segundo o IBGE. ​

O investimento cresceu 18,8% na mesma comparação. "A magnitude desse resultado é justificada pela alta na produção e importação de bens de capital, assim como pelo crescimento na construção", diz o IBGE.

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