Descrição de chapéu Financial Times oriente médio Rússia

Zelenski pede que países aumentem produção de combustível para evitar 'chantagem' de Putin

Apelo vem um dia depois da promessa da Europa de comprar gás natural em conjunto

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Andres Schipani Andrew England James Politi
Lviv, Doha e Varsóvia | Financial Times

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, pediu aos países produtores de energia que aumentem a produção de combustível para evitar que a Rússia use seu petróleo e gás para "chantagear" os países europeus.

Seu apelo veio um dia depois que os líderes da União Europeia prometeram comprar gás natural em conjunto e a Alemanha revelou metas para reduzir rapidamente sua dependência da energia russa. Berlim prometeu se livrar do gás russo até meados de 2024 e disse que pretende se tornar "virtualmente independente" do petróleo russo até o final deste ano.

Zelenski fala por videoconferência em um fórum de Doha - 26.mar.2022/Presidência Ucraniana via Reuters

Em uma conferência com a presença de várias autoridades do Golfo em Doha, no Qatar, falando por vídeo no sábado (26), o presidente ucraniano chamou "os Estados responsáveis, em particular o Qatar", de "fornecedores confiáveis e respeitáveis de recursos energéticos, que podem contribuir para estabilizar a situação na Europa".

"Eles podem fazer muito mais para restabelecer a justiça. O futuro da Europa depende de seus esforços", afirmou Zelenski. "Peço que vocês aumentem a produção de energia para que a Rússia entenda que nenhum estado pode usar a energia como arma para chantagear o mundo."

Na mesma conferência, Saad al-Kaabi, ministro da Energia do Qatar, que também é presidente-executivo da QatarEnergy, disse: "Fomos claros sobre tentar apoiar os europeus e os americanos. Já dissemos que os volumes que podem ser desviados da Europa, mesmo que consigamos um preço mais alto, não serão desviados".

No entanto, ele disse anteriormente que nenhum outro país poderia substituir o volume total produzido pela Rússia. O Qatar, maior exportador mundial de gás natural liquefeito (GNL), estima que só poderia desviar cerca de 10% a 15% de seus volumes para a Europa. A nação do Golfo vende a maior parte de seu GNL para clientes asiáticos fixos, com contratos de longo prazo.

Nesta semana, os Estados Unidos estabeleceram planos para redirecionar gás para a Europa, enquanto os aliados ocidentais intensificam esforços para reformular os mercados globais de energia e punir Moscou. Washington disse na sexta (25) que pretende entregar pelo menos 15 bilhões de metros cúbicos de GNL adicional à UE este ano, juntamente com outros produtores.

Washington tem pressionado os países do Golfo, principalmente a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, para que aumentem a produção de petróleo para ajudar a diminuir os preços. Mas Riad e Abu Dhabi, que coordenam os níveis de produção de petróleo por meio da Opep+, que inclui a Rússia, até agora resistiram.

Autoridades sauditas argumentam que a alta dos preços do petróleo não é causada por falta de oferta e que aumentar a produção teria pouco impacto nos preços. Elas também alertam para um risco de escassez de capacidade de produção global.

Zelenski disse neste sábado que é "uma questão de tempo" até que os países europeus se recusem a comprar petróleo e gás russos, acrescentando que as sanções contra a Rússia "visam apenas uma coisa –fazer a Rússia buscar a paz, para que não represente uma ameaça comum".

Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

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