Setor de serviços recua 0,2% em fevereiro e frustra expectativas

Segmento ainda está 5,4% acima do patamar pré-pandemia, diz IBGE

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Rio de Janeiro

Em um novo sinal de perda de fôlego, o volume do setor de serviços no Brasil recuou 0,2% em fevereiro, na comparação com janeiro, informou nesta terça-feira (12) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É a segunda retração em sequência. Com isso, o setor acumulou perda de 2% nos dois primeiros meses de 2022.

O resultado de fevereiro frustrou as expectativas do mercado financeiro. Na mediana, analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam avanço de 0,7%.

Movimentação no aeroporto de Congonhas, em São Paulo - Bruno Santos - 28.dez.2020/Folhapress

"Nas últimas sete informações, ou seja, desde agosto de 2021, há cinco taxas negativas e apenas duas positivas. Isso confere menor ritmo ao setor de serviços", disse Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.

Mesmo com o novo recuo, o segmento ainda está 5,4% acima do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020.

O setor de serviços envolve uma grande variedade de negócios no país. Vai de bares, restaurantes e hotéis a instituições financeiras, empresas de tecnologia e de transportes.

A divulgação desta terça é a primeira após o IBGE atualizar o modelo de ajuste sazonal da pesquisa.

Conforme o instituto, o procedimento é padrão em levantamentos do tipo e busca aprimorar as informações investigadas.

Houve uma forte revisão no volume de serviços em janeiro. O resultado do mês, estimado inicialmente em recuo de 0,1%, passou para contração de 1,8%.

"Não se sabe se [o ajuste] é pela troca de modelo ou se a própria entrada da informação de fevereiro provocou essa revisão mais forte. Não dá para distinguir isso", ponderou Lobo.

DUAS DAS CINCO ATIVIDADES NO VERMELHO

A baixa de 0,2% em fevereiro foi acompanhada por duas das cinco atividades de serviços analisadas pelo IBGE.

Os serviços de informação e comunicação recuaram 1,2%, respondendo pela principal influência negativa no mês. Enquanto isso, o ramo de outros serviços caiu 0,9%.

Fevereiro marcou a terceira baixa consecutiva dos serviços de informação e comunicação.

Ao longo da pandemia, foi justamente essa atividade que puxou a recuperação do setor como um todo, destacou Lobo.

Conforme o pesquisador, os serviços de informação e comunicação tiveram estímulos com a corrida de empresas por digitalização em meio a medidas de isolamento social.

Agora, a atividade dá indícios de redução de ritmo. Mesmo assim, os serviços de informação e comunicação permanecem acima do pré-pandemia, em patamar 8,6% superior ao de fevereiro de 2020.

"A perda de fôlego nesse segmento é determinante para entender a perda de fôlego do setor como um todo", indicou Lobo.

No sentido oposto, transportes, armazenagem e correio (2%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (1,4%) avançaram em fevereiro.

Já os serviços prestados às famílias tiveram uma leve variação positiva de 0,1%. Esse ramo sofreu um duro golpe com a chegada da pandemia, já que reúne empresas dependentes do contato direto com clientes. Bares, restaurantes e hotéis fazem parte da lista.

Em janeiro, o segmento dos serviços prestados às famílias havia recuado 1%, interrompendo uma sequência de nove taxas positivas. A atividade ainda está 14,1% abaixo do pré-pandemia.

Na visão de analistas, a recuperação do ramo é ameaçada por variáveis como inflação persistente, renda frágil e juros elevados.

EFEITOS DA INFLAÇÃO

Lobo sinalizou que a escalada inflacionária já mostra efeitos sobre os serviços. Nesse sentido, o pesquisador lembrou que os preços do setor vêm subindo nos últimos meses.

Segundo ele, a perda do poder aquisitivo também pode fazer com que as famílias deixem de consumir determinados serviços, priorizando a compra de bens de primeira necessidade.

"O efeito inflacionário funciona como pressão direta e indireta sobre o setor", pontuou.

O IBGE ainda informou que, na comparação com fevereiro de 2021, os serviços registraram alta de 7,4%. Foi a 12ª taxa positiva em sequência nesse tipo de recorte.

Analistas, contudo, projetavam uma alta maior. A mediana das estimativas era de 8,5%, conforme a Bloomberg.

No acumulado de 12 meses, o volume do setor teve crescimento de 13% até fevereiro.

NOVO INDICADOR DE TRANSPORTE

Nesta terça, o IBGE divulgou pela primeira vez um indicador de transporte por tipo de uso: passageiros ou cargas.

Na comparação com janeiro, o transporte de passageiros cresceu 1,1%. Assim, registrou a quarta taxa positiva em sequência, com ganho acumulado de 20,6% a partir de novembro.

No entanto, ainda opera 28,9% abaixo do ponto mais alto da série, ocorrido em fevereiro de 2014.

Já o transporte de cargas avançou 2,5% em fevereiro. A atividade atingiu a quinta taxa positiva seguida, com ganho acumulado de 10,2%. Essa sequência fez o indicador alcançar o ponto mais alto da série, com dados desde 2011.

"Esse recorde ocorre na esteira do boom do comércio eletrônico, escoamento de produtos agrícolas e deslocamento de insumos e bens industriais pelos diversos modais de carga: rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo", afirmou Lobo.

O transporte de cargas está 21,4% acima do pré-pandemia. Já o de passageiros ainda está 6,2% abaixo de fevereiro de 2020.

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