Descrição de chapéu copom juros Banco Central

Ata do Copom reafirma coesão de visões dos membros do BC, diz Galípolo

Comitê interrompeu ciclo de corte de juros em decisão unânime, apesar de pressão do governo Lula por queda da Selic

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Brasília

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (25) que a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) mostra que os membros do colegiado estão afinados em suas avaliações.

"Essa ata é uma reafirmação e incorporação da coesão que a gente tem aqui dentro [do BC], de visões e leituras sobre o que está acontecendo", disse Galípolo, em videoconferência promovida pela Warren Investimentos, duas horas depois da divulgação do documento da autoridade monetária.

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Gabriel Galípolo em sabatina no Senado Federal por cargo de diretor de Política Monetária do Banco Central - Gabriela Biló - 4.jul.2023/Folhapress

Na última quarta-feira (19), o Copom interrompeu o ciclo de cortes de juros e manteve a taxa básica, a Selic, em 10,5% ao ano, com o voto de Galípolo alinhado ao do atual chefe do BC, Roberto Campos Neto, considerado um "adversário político" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O diretor do BC afirmou que tanto a ata quanto o comunicado do Copom traduzem "plenamente" sua avaliação e minimizou o racha do colegiado no encontro anterior, em maio.

Galípolo classificou o Copom como um ambiente de "maior honestidade intelectual e colaboração possível", onde nenhum membro tenta convencer o outro a mudar de posicionamento. Embora veja espaço para divergências, disse ver "muito valor" no consenso no colegiado do BC por minimizar as chances de erro de atuação da instituição na condução da política de juros.

No entanto, afirmou que o consenso não pode servir como escudo para críticas "de um lado ou de outro".

"Quando eu entrar numa reunião de Copom pensando que vou fazer isso ou aquilo com receio de tomar crítica de A ou de B, eu vou começar a empilhar decisões equivocadas e vou ter muita dificuldade", disse.

"Ser criticado ou não ser criticado não é uma opção, a gente não controla isso. A única coisa que a gente controla é ter a coerência para poder ter paz de espírito e fazer aquilo que a gente realmente acredita", acrescentou.

Apesar de ter votado no Copom pela interrupção da queda dos juros –diferentemente do que pleiteava o governo Lula– Galípolo manteve o favoritismo na disputa pela presidência do BC.

Auxiliares do governo, contudo, afirmam que Lula ainda não bateu o martelo sobre o indicado para suceder Campos Neto, cujo mandato termina em 31 de dezembro.

As especulações sobre o nome do futuro presidente do BC cresceram depois que Lula disse que escolheria uma pessoa "madura", "calejada" e que não se submete a pressões do mercado financeiro. A fala levou analistas da iniciativa privada a questionarem se Galípolo se encaixaria nos requisitos.

O tema foi trazido à discussão por Felipe Salto e Sergio Goldenstein, respectivamente economista-chefe e estrategista-chefe da Warren Investimentos, e Galípolo reagiu em tom de brincadeira depois de dizer que a sucessão do BC é um "não tema" para os diretores.

"Quando se levantou dúvida sobre o meu nome quando se falou sobre maturidade, eu quase fiquei contente porque estavam achando que eu era um cara novo. Mas já não é mais o caso, as dores que sinto agora nas lesões [...]", disse.

"Eu acho que tem a ver com quem tem informação privilegiada, como é o caso do Felipe [Salto], sobre se eu sou maduro ou não, que eu gosto de meme, dou risada de trocadilho infame. Tem mais a ver com uma questão de maturidade associada ao cara que reassiste episódios de Seinfeld", continuou.

Aos 42 anos, Galípolo foi um dos conselheiros de Lula na campanha presidencial de 2022 e atuou como número dois do ministro Fernando Haddad (Fazenda). Ele segue tendo canal direto com o chefe do Executivo desde que deixou o cargo de secretário-executivo e assumiu o posto no BC.

Durante a live, o diretor do BC também comentou que, ao utilizar a palavra "interrupção" do ciclo de corte de juros, o Copom não quer fazer qualquer sinalização ou indicação sobre seus próximos passos, deixando o futuro em aberto para "ver como as coisas vão se desdobrar a partir de agora".

Segundo ele, é prematuro falar sobre "qualquer coisa diferente" do que foi explicitado na ata e precipitado tentar antecipar "qualquer tipo de movimento" num horizonte mais distante.

"Nós vamos reagir aos dados, à realidade, a tudo que a gente recebe de informação para manter a taxa de juros no patamar necessário para perseguir a inflação. Foi isso que nos guiou nessa tomada de decisão", disse.

Galípolo voltou a enfatizar que meta de inflação "não se discute, se cumpre" e assegurou que a política fiscal não será "muleta ou desculpa" para a autoridade monetária deixar de buscar seu objetivo.

O alvo perseguido pelo BC para este e para os próximos anos é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

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