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Lira acelera reforma, sauditas apostam em carros híbridos e o que importa no mercado

Veja esses e outros destaques na edição desta quarta-feira (10) da newsletter FolhaMercado

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Victor Sena
São Paulo

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Lira acelera tributária

A Câmara dos Deputados promete uma maratona nesta quarta-feira (10) para votar a regulamentação da reforma tributária. O presidente da Casa, Arthur Lira, propôs regime de urgência para a aprovar o novo sistema de impostos.

Por que importa: o Congresso entra em recesso em 18 de julho, e a pauta é prioridade para o Governo Federal. Em 2023, as diretrizes gerais da reforma foram aprovadas. Agora será definido como ela vai funcionar na prática.

↳ A aprovação ajudaria o governo com uma agenda positiva, o que reforçaria o clima mais ameno no mercado financeiro após semanas de expectativas negativas.

Entenda: a reforma tributária prevê a simplificação dos impostos às empresas. Os cinco tributos atuais vão dar lugar a um só, dividido entre União, estados e municípios. Haverá ainda taxação extra sobre produtos nocivos, apelidada de "imposto do pecado". Veja a lista dos itens.

Interesses. A ideia inicial da reforma era aplicar uma taxação igualitária para todos os bens e serviços produzidos no Brasil, sem diferenciação. Estudos mostram que isso poderia ter forte impacto positivo sobre a economia.

↳ Foram criadas, porém, diversas exceções impostas pelas negociações políticas e vindas de setores da sociedade.

↳ O resultado é uma alíquota alta, ainda a ser definida, estimada em 26,5% para quem está fora das exceções. O valor seria um dos maiores do mundo.

Algumas das exceções, apresentadas no texto inicial do Grupo de Trabalho:

  • Taxação menor para serviços de saúde e educação, além de medicamentos;
  • Taxação menor para profissionais liberais como advogados, economistas e médicos;
  • A manutenção da Zona Franca de Manaus;

Lobistas no Congresso. Setores que ficaram fora do texto enviado pelo Governo passaram as últimas semanas fazendo novos apelos aos deputados. Entre eles o setor imobiliário e o de refrigerantes, um dos que serão punidos pelo "imposto do pecado".

Nesta terça (9), a reportagem da Folha testemunhou que a Câmara ainda estava repleta de representantes. Alguns pediam mudanças. Outros, que tudo ficasse igual.

E a carne? O presidente Lula e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, aproveitaram tantas demandas novas para pleitear a inclusão da carne na cesta básica na última semana.

Isso poderia elevar a alíquota geral para acima dos 26,5%. Lira é contra, e o ministro Fernando Haddad defendeu o "cashback" de valores a famílias pobres como alternativa melhor.

O petróleo parece eterno…

A Saudi Aramco, maior petroleira do mundo, prevê que os motores a gasolina e diesel vão durar para sempre, apesar do crescimento da energia limpa. Ela investiu 740 milhões de euros (R$4,3 bilhões) na fabricante de motores inglesa Horse Powertrain.

Em cifras: a estatal saudita vale US$ 1,8 trilhões (R$ 9,75 trilhões) no mercado, 6ª posição no mundo. Ela teve receita de US$ 121 bilhões (R$ 655 bilhões) em 2023 e é responsável por 12% da oferta mundial de petróleo.

Por que importa: a decisão da gigante reforça o argumento de que os carros híbridos terão mais mercado que os movidos apenas à bateria. A flexibilidade para os consumidores, o preço e a melhor autonomia para viagens longas seriam os motivos.

↳ Nos EUA, uma nova legislação inclui esses veículos no plano para baixar as emissões de 50% até 2032. A regra inicial favorecia apenas os elétricos.

Os principais híbridos. Carros de várias configurações com fontes diversas de energia têm sido apresentados. Em geral, se dividem em:

  • Híbridos tradicionais (HEV, na sigla em inglês): alimentados a combustível. A energia é gerada com a transformação das freadas. Não usam tomadas.

    ↳ Podem ser de eletrificação "leve" ou "plena". Na leve, usam eletricidade como apoio nas arrancadas. No uso pleno, complementam totalmente o combustível.
  • Híbridos "plug-in" (PHEV, na sigla em inglês): podem usar só combustíveis, só bateria ou ambos. Precisam ser recarregados com tomadas.

    ↳ São de eletrificação "plena".

Ainda mais limpos. Se abastecidos com biocombustíveis, como etanol e hidrogênio, esses híbridos poluem ainda menos. A Folha mostra as combinações mais limpas.

E a saudita quer o que? Diversificar seus investimentos. Com a Horse Powertrain, pretende se tornar uma fornecedora para as fabricantes tradicionais de veículos, que tendem a terceirizar esses equipamentos.

Novas tecnologias estão sendo estudadas pelos governantes e empresários do país. A ideia é que a Arábia Saudita dependa menos da demanda mundial por gasolina e diesel.

A força do petróleo. Para frear a mudança climática, o mundo precisa alcançar emissões zero de carbono até 2050. Grandes produtores de petróleo, como a Arábia Saudita, os Estados Unidos e o próprio Brasil seguem investindo, porém, na produção. Entenda.

↳ A Petrobras, por exemplo, lançou a primeira encomenda de navios de apoio para o setor sob o governo Lula 3, enquanto busca aprovação para explorar a região da Foz do Amazonas.

↳ O mundo consome hoje cerca de 103 milhões de barris por dia. O pico será de 106 milhões até o final da década, segundo a (AIE) Agência Internacional de Energia.


… e a Tesla?!

A empresa de Elon Musk é elétrica por essência e líder no segmento dentro dos EUA. Junto da Volvo, é uma das poucas montadoras que defendem um futuro 100% à bateria.

Com a força dos híbridos, o mercado de totalmente elétricos esfriou nos EUA. Ainda assim, a alta nas vendas foi de 11% no último trimestre, segundo o jornal The New York Times. Em 2023, a expansão estava num ritmo de 40%.

↳ Foram 330 mil carros à bateria vendidos no segundo trimestre, 8% do total.

Elon Musk, CEO da Tesla - Aly Song/Reuters

A reação. A Tesla já perdia espaço nos últimos anos no mercado geral, somando os elétricos e os híbridos devido à concorrência de nomes tradicionais e de novas companhias chinesas, com preços mais atrativos. Para driblar isso, a estratégia não mudou.

↳ Ela segue sem produzir híbridos, mas barateou os seus elétricos, cortou custos com demissões controversas e pressionou por tarifas contra carros chineses, de qualquer tipo.

  • O preço inicial do Model Y caiu de US$ 65 mil para US$ 45 mil em 2023. Em abril deste ano, baixou para US$ 43 mil (R$ 233 mil).

Ainda assim, pela primeira vez, o "share" da Tesla caiu abaixo de 50% no mercado de elétricos nos EUA. Estimativas do jornal The New York Times apontam que a empresa perdeu mercado para a General Motors, Ford e Hyundai. Segundo o jornal, a postura política do CEO Elon Musk contribuiu para a queda.


O que será da IA no Brasil?

O setor industrial reclamou, e o Senado adiou pela quinta vez a votação do projeto que regulamenta a inteligência artificial na comissão que debate o tema.

↳ Mais cedo nesta terça (9), o presidente da Casa e autor do projeto, Rodrigo Pacheco (PSD), havia defendido a votação em plenário antes da próxima semana.

Por que a crítica? Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a nova legislação iria atrapalhar a inovação e afastar investimentos no Brasil, como em data centers. Essas instalações tecnológicas são necessárias para o processamento da inteligência artificial. Em artigo na Folha, o colunista Ronaldo Lemos explica por que o Brasil deve atrair esses centros.

A Indústria afirma que o projeto impõe regras duras e amplas demais, sobre toda a cadeia da inteligência artificial. O ideal seria regras sobre o contato com usuários finais.

Entenda: a inteligência artificial fica mais avançada conforme tem acesso a mais dados de usuários, o que é visto como risco em potencial. Nos últimos meses, os sistemas tiveram seu uso regulado na Europa.
↳ No Brasil, o projeto do Senado começou a tramitar em 2022.

Os principais pontos:

  • Desenvolvedores devem remunerar autores e a indústria criativa pelo uso de conteúdo para "alimentar" sistemas;
  • Os sistemas receberão classificações. Entre os de alto risco: recomendação de conteúdo (como os muito usados por redes sociais em algoritmos), identificação biométrica e recrutamento de profissionais;
  • Sistemas de alto risco imporiam obrigações aos desenvolvedores como supervisão humana, transparência, participação pública e prestação de contas;
  • Desenvolvedores deverão explicar o funcionamento de seus modelos de IA, sendo possível verificar como ele chega a decisões e resultados;

Lá fora. Na União Europeia, a regulação também classifica os sistemas por riscos e impõe regras aos desenvolvedores. Entre as proibições: sistemas de pontos baseados em comportamentos dos cidadãos e sistemas que oferecem incentivos para maximizar lucros.

Como reação, a Meta, dona do Instagram e Facebook, decidiu adiar o lançamento de funções de IA em seus aplicativos na região.

↳ Mesmo sem regulação no Brasil, a empresa de Mark Zuckerberg foi alvo de uma medida preventiva contra as atualizações, que seguem fora dos aplicativos de brasileiros.

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