Empreendedor novato deve encontrar conselheiro para ganhar experiência

Sucesso também depende de atitude questionadora e de curiosidade, diz especialista

Anna Martins
São Paulo

Na hora de montar qualquer negócio, o empreendedor de primeira viagem precisa adquirir experiência, seja com um emprego numa empresa da mesma área ou por meio de um mentor.

“Empreender é uma atividade muito solitária e é comum não saber se estamos errando ou acertando. Ter alguém para conversar ajuda nessa montanha-russa emocional”, diz Amure Pinho, presidente de ABStartups (Associação Brasileira de Startups).

Segundo ele, é importante se cercar de gente que consiga passar conteúdos aplicáveis no dia a dia da empresa. Esse conselheiro deve ser alguém com conhecimento e disponibilidade para dar dicas.

Octavio Brandão, 31, fundador do marketplace EShows
Octavio Brandão, 31, fundador do marketplace EShows - Rafael Roncato/Folhapress

Vale, assim, falar em eventos com pessoas que tenham bagagem na área em que se quer empreender ou mesmo segui-las nas redes sociais. 

Sócio de uma startup do setor agrícola, Raphael Tizzi, 29, não tem medo de abordar empreendedores pelas redes sociais. “Quando sei que a pessoa já passou por um problema parecido e pode ajudar, sou cara de pau. A maioria responde e muitos topam um café”, diz Raphael, da AgroSmart.

A empresa criou um sistema de monitoramento de lavouras e passou por uma aceleradora de startups em São Paulo. Com os mentores, ele aprendeu a dar feedback para seus funcionários e a usar metodologias de crescimento rápido para pequenos.

“Como não existe curso que dê a receita para empreender, é difícil aprender, por exemplo, a ter resiliência e liderança ou a aumentar o apetite para correr riscos”, diz Raphael.

Aprender a ser mais questionador e curioso também ajuda, segundo Newton Campos, coordenador do FGVCepe (Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getulio Vargas).

“O empreendedor tem sucesso quando faz algo mais rápido, de melhor qualidade ou mais barato. Precisa ser criativo para achar novos caminhos”, afirma.

Há material de sobra nas livrarias e nas redes sociais, diz Amure. Vale dedicar cerca de duas horas por dia com livros e podcasts sobre o assunto e cursos remotos ou presenciais, que combinam nomes do mercado e acadêmicos.

Depois de uma experiência malsucedida com um escritório de agenciamento de músicos, o administrador Octavio Brandão, 31, investiu em uma pós-graduação em marketing digital. 

Lá, conheceu o modelo de negócio que implantaria na EShows, marketplace que intermedeia o contato entre músicos e contratantes, e superou o medo de ter novos sócios depois do fim da primeira empresa.

Foram dois anos sem lucro, nos quais Octavio se capacitava em sala de aula e com livros e mentoria no Sebrae. Neste intervalo, o faturamento da empresa saiu de R$ 4.000 para R$ 30 mil por mês.

“Consegui me readaptar e investir em gestão de pessoas, algo que gosto de fazer, além de construir uma equipe forte, de especialistas em áreas como vendas e finanças, que não domino”, afirma.

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