Empresas utilizam tecnologia para facilitar entregas de compras online

Soluções buscam diminuir custos para lojas virtuais e levar produtos onde Correios não chegam

Homem de camiseta vermelha encostado em armário segura uma caixa
Thiago Sigliano Lopes, 35, sócio da EntregAli, na sede da empresa, na região central de São Paulo - Karime Xavier/Folhapress
 
Dante Ferrasoli
São Paulo

A logística é um dos maiores gargalos para donos de lojas online no Brasil. Existem endereços com restrição de entrega pelos Correios por questão de segurança ou aos quais os carteiros têm que retornar muitas vezes, porque não há alguém para receber encomendas.

Resolver esses problemas é fundamental para empresários, diz Anderson Santos, consultor do Sebrae-SP.
“Quando não tem ninguém para receber a carga, começa uma operação de retorno que tem um custo, e quem paga por ela é quem vendeu. Não sai um centavo do bolso do cliente”, afirma. 

Por conta disso, algumas empresas passaram a oferecer serviços para facilitar entregas de ecommerces. A Pegaki, que iniciou suas atividades em 2016, criou uma rede de pontos de retirada de encomendas. 
Funciona assim: o usuário faz sua compra online e, em vez de colocar sua casa como endereço de entrega, põe um desses pontos, que ficam em estabelecimentos comerciais.

“Se a pessoa tem alguma dificuldade para receber em casa, se não fica por lá em horário comercial por causa do trabalho, pode escolher retirar a compra no ponto mais próximo da sua residência”, afirma João Cristofolini, 28, diretor-exetutivo e fundador da empresa.

Ao comprador basta se apresentar no ponto com sua identificação e o número do pedido para pegar a mercadoria.

O faturamento da empresa vem dos ecommerces, que pagam a ela uma parte do valor das entregas. A Pegaki, então, repassa um montante ao dono da loja no qual instalou seu ponto. Esse empresário também “ganha” mais gente circulando na loja.

A companhia, que é de Blumenau (SC), tem cerca de 500 desses pontos espalhados pelo país, metade deles em São Paulo, e pretende chegar a 3.000 até o fim do ano. Cristofolini não revela o faturamento, mas conta já ter entregue mais de 40 mil pedidos.

Criada no final de 2017, a EntregAli tem proposta semelhante, mas acrescenta tecnologia ao processo: desenvolveu um equipamento próprio para que as compras sejam depositadas, o CollectSpot.

O produto, homologado pelos Correios, é semelhante a um armário de academia e tem portas de diferentes tamanhos, para encomendas de portes variados. 

Funciona como uma caixa postal inteligente. O entregador chega ao local, digita no armário os dados da entrega e uma das portinhas se abre  para que a mercadoria seja depositada. 

Quando isso acontece, a máquina notifica quem efetuou a compra, enviando-lhe um QR code por email. O código funciona como chave para abrir a porta e pegar a mercadoria.

Marcelo Fujimoto, 40, diretor-executivo da Mandaê, na sede da empresa, em São Paulo
Marcelo Fujimoto, 40, diretor-executivo da Mandaê, na sede da empresa, em São Paulo - Rodrigo Capote/Folhapress

Por ora, o produto está disponível em quatro edifícios de São Paulo que têm portaria eletrônica. Sem porteiros, uma encomenda poderia voltar se o morador não estivesse em casa para recebê-la. Esses condomínios pagam aluguel do produto para a empresa.

Em breve, porém, a EntregAli pretende implementar esses mesmos armários em pontos comerciais, tendo os ecommerces como clientes.

Na cidade de São Paulo, 29% dos CEPs têm algum tipo de restrição a entregas. No Rio, o número chega a 43%, diz Thiago Sigliano Lopes, 35, sócio da empresa. Isso significa que os Correios ou não vão a esses locais ou só o fazem sob circunstâncias específicas, como com escolta.

“Temos aí um grande problema para resolver, que terá impacto na vida de muita gente”, afirma.
Como o produto foi homologado pelos Correios no início deste ano, a empresa ainda não tem números consolidados de seus resultados, mas diz que calcula faturar R$ 40 mil mensais até o fim do ano com o modelo dos edifícios.

Mais antiga, a Mandaê, fundada em 2014, auxilia a logística de ecommerces de outra forma, fornecendo uma rede de transportadoras parceiras.

A empresa nasceu justamente porque um deu seus fundadores, Marcelo Fujimoto, 40, sentiu na pele as dificuldades de enviar produtos quando era dono de um ecommerce. “Realmente era algo crítico”, diz ele.

A empresa tem uma plataforma que conecta as lojas virtuais às transportadoras mais adequadas para cada entrega. Por meio de algoritmos, seleciona a melhor opção observando preço, prazo e região de entrega.

Segundo Fujimoto, quem usa a plataforma gasta com as entregas, em média, 30% menos do que quem usa o serviço dos Correios.

“Há muitas transportadoras no mercado. O país não precisa de mais caminhões, mas de eficiência, inteligência e tecnologia para conectá-los às empresas”, afirma.

A Mandaê tem hoje cerca de 150 funcionários. Fujimoto não revela o faturamento, mas diz que planeja aumentá-lo em 300% neste ano.

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