Empresas importam tecnologias de condomínio contra furtos e roubos

Investimento em segurança ajuda a prevenir prejuízo de 1,5% no faturamento anual do negócio

Renan Marra
São Paulo

Perdas com roubos e furtos abocanham, em média, 1,5% do faturamento anual de um empreendimento no Brasil, de acordo com consultores da área de segurança. Na tentativa de coibir as ações criminosas, empresas têm investido em tecnologias já adotadas em residências.

Sistemas de monitoramento, câmeras inteligentes —programadas para identificarem movimentos suspeitos— e portarias remotas, cuja entrada é monitorada a distância, são os recursos mais procurados por empresas hoje.

O diretor-executivo da empresa de tecnologia em segurança Peter Graber, Leandro Martins, na sede da empresa, em São Paulo
O diretor-executivo da empresa de tecnologia em segurança Peter Graber, Leandro Martins, na sede da empresa, em São Paulo - Zanone Fraissat/Folhapress

Para que o investimento resulte, de fato, em uma redução de riscos, a instalação de equipamentos de segurança requer planejamento e análise.

“Há casos em que a empresa protege o ambiente do cofre, mas se esquece de monitorar o terreno ao lado. Os criminosos, então, explodem a parede lateral e levam tudo”, diz o diretor-executivo da empresa de monitoramento Peter Graber, Leandro Martins.

Em pequenos e médios negócios, em que o fluxo de pessoas é menor, o sistema mais procurado é a portaria remota.

O serviço, usado em condomínios, funciona com câmeras conectadas a uma central de atendimento, que monitora a entrada e a saída do estabelecimento durante 24 horas. Pessoas não cadastradas conversam com o porteiro a distância para serem autorizadas a entrar no ambiente.

“Cerca de 90% dos assaltos às sedes das empresas acontecem pela porta da frente, onde o porteiro muitas vezes está em posição vulnerável e é rendido”, afirma Martins. 

Segundo ele, além de aumentar a segurança, o sistema remoto reduz em até 60% os gastos com portaria, pois elimina folhas de pagamento. A procura pelo serviço na Peter Graber dobra a cada mês.

Em ambientes estratégicos, o monitoramento de imagem pode ainda ser feito com câmeras inteligentes que ajudam a proteger objetos de maior valor, como cofres. 

Uma joalheria, por exemplo, pode conectar sensores de movimento em peças caras. Quando acionados, o sistema alerta a central de monitoramento, que analisa se há atitudes suspeitas. “No Brasil 99% dos alarmes são disparados de forma acidental. Por isso, a polícia prioriza quem tem imagem”, afirma Martins.

Para saber qual é o melhor modelo de segurança para o negócio, o primeiro passo é levantar informações sobre os crimes na região do estabelecimento e mapear as vulnerabilidades do negócio.

Além da tecnologia, é recomendado que empreendimentos localizados em áreas com índice alto de assalto contratem o serviço de um vigilante, e não de um vigia —a diferença entre eles é que o segundo não trabalha armado e, portanto, intimida menos os criminosos.

Pequenos podem se organizar em grupos para contratar segurança, o que reduz, em média, em 8% os custos do serviço, afirma o supervisor da administradora de condomínio Cipa André Ricardo.

A Artan, empresa provedora de tecnologia e serviços aplicados à gestão dos riscos de segurança, cruza dados coletados nas secretarias de segurança pública e em aplicativos que mapeiam ocorrências para produzir análises de risco.

Ao contratar esses serviços, o empresário deve analisar bem o custo. Na Artan, os preços variam bastante, de acordo com logística e equipamentos —os valores partem de R$ 500 e chegam a R$ 50 mil.

O diretor-executivo da empresa, Mário Rui Tavares, recomenda levantar com associações do setor de atuação do empreendedor qual o valor médio perdido por ano em roubos e furtos. O investimento em segurança deve ser de ao menos metade desse valor.

A proprietária do Brechó Agora é Meu, Siomara Leite, na loja em Higienópolis, São Paulo
A proprietária do Brechó Agora é Meu, Siomara Leite, na loja em Higienópolis, São Paulo - Jardiel Carvalho/Folhapress

Usar tecnologia para prevenção de crimes também protege a loja contra pequenos furtos cometidos pelos próprios funcionários, mais difíceis de serem detectados, uma vez que eles conhecem as fragilidades do negócio. 

Itens pequenos e de alto valor agregado, como celular e tablet, ou fáceis de serem revendidos, como alimentos e bebidas alcoólicas, são os mais visados, diz o especialista em tecnologia para segurança do Grupo GR, Ricardo Bacci.

A empresária Flávia Queiroz, dona da loja de comida saudável Mr. Fit, inaugurada em novembro de 2018 no Shopping Metrô Tucuruvi, em São Paulo, investiu R$ 25 mil em 15 câmeras de segurança para monitorar os nove funcionários da loja de 66 m². 

Flávia diz que as perdas com furtos e desperdício chegaram a 17% do faturamento nos primeiros meses de funcionamento. Alguns funcionários, conta, se escondiam atrás de balcões para esconder dinheiro nas partes íntimas. Hoje, a loja não tem ponto cego, e as perdas praticamente zeraram.

Mesmo com câmeras, a imunidade a furtos não é garantida. A empresária Siomara Leite, do brechó Agora é Meu, no centro de São Paulo, investiu R$ 8.000 em equipamentos em 2012. Mesmo assim, o toldo de latão da loja e duas bolsas de grife foram furtados no ano passado, causando um prejuízo de R$ 20 mil. 

Apesar do revés, Siomara aponta a tecnologia como fundamental, tanto que melhorou a qualidade dos equipamentos. “Muitas pessoas ficam constrangidas por causa das câmeras”, diz.

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