Fotógrafo retrata donos de pequenos negócios pelo mundo

Para Vladimir Antaki, empresários são guardiões de tradições

Fernanda Reis
São Paulo

Quando criança, o fotógrafo Vladimir Antaki, 39, gostava de passear em lojinhas e conversar com seus proprietários em Paris, cidade na qual cresceu, e Beirute, no Líbano, onde passava as férias. "Sempre fui fascinado pelos donos desses negócios", afirma.

Em 2012, quando passava um verão em Nova York, Antaki resolveu fazer um retrato de Jainul Abedin em sua pequena banca de jornal dentro de uma estação de metrô. Daí veio a ideia: fotografar, em diferentes partes do mundo, pequenas lojas, oficinas de costura, antiquários e seus donos.

O projeto, batizado de "The Guardians" (os guardiões), virou livro (sem edição brasileira) e exposição. 
"Queria um título que passasse a ideia de que esses donos de negócio são guardiões de tradições, de uma forma de fazer coisas que é cada vez mais rara nas nossas cidades", conta Antaki.

Seu objetivo era registrar, em imagem, pequenas empresas familiares que têm dificuldade em enfrentar a concorrência das grandes redes e das lojas virtuais. 

"Elas não conseguem lidar com os preços cada vez mais baixos [de lojas maiores] e com os aluguéis caros", diz.

Antaki fotografou estabelecimentos na Europa, no Oriente Médio e na América do Norte. Ele chegava às cidades sem fazer nenhuma pesquisa e andava sem rumo até se deparar com um lugar que parecesse interessante. 

As fotos foram feitas sem muita conversa prévia com os donos. "É importante que o público se identifique com o visual que eu encontrei assim que cheguei", conta. Nas imagens, vê-se desde espaços abarrotados de objetos, sem ordem, até pequenos ateliês com vitrines organizadas.

Depois, Antaki conversava com os personagens. Em Paris, por exemplo, retratou Henri Launay, 91, reparador de bonecas desde 1964, que lhe disse fazer o que ama e não ter intenção de se aposentar. 

Entre suas histórias preferidas está a de Esther Fisher, que teve de aprender a comandar a loja de itens de costura após a morte do marido, quando já chegava aos 70 anos.

"Meus amigos, que têm 85, 86, 84 anos, acordam de manhã e se perguntam: 'O que vou fazer hoje?'. Eles têm que procurar o que fazer. Eu não preciso, me levanto de manhã e venho à loja", disse ela.

Todos esses pequenos empreendedores têm em comum a paixão por seus negócios, diz Antaki. Seu papel, afirma, é fazer com que eles consigam sobreviver pelo maior tempo possível.

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