Franquias aderem à sustentabilidade e conquistam novos clientes

Há cada vez mais pessoas sensíveis aos impactos negativos dos produtos e dos serviços

Marina Azaredo
São Paulo

O preço é essencial na hora do consumidor decidir se compra ou não um produto, mas outros fatores começam a ganhar importância nessa escolha. A sustentabilidade é um deles.

"Há cada vez mais pessoas sensíveis aos impactos negativos dos produtos e dos serviços e dispostas a pagar um pouco mais caro pelos que não têm essa carga", diz Ana Coelho, gestora de projetos do FGVCes (Centro de Estudos em Sustentabilidade) da FGV.

Foi pensando em atrair um público diferente que a empresária Camila Migliorini, diretora-executiva da rede de comida saudável Mr. Fit, aboliu os copos plásticos em todas as unidades em 2018 —antes eram usados 240 mil recipientes por mês nas 126 lojas.

Mulher loira sentada atrás de arara de roupas
Siomara Leite, em unidade da sua rede Brechó Agora É Meu no centro de São Paulo - Karime Xavier/Folhapress

"Isso agrega valor para o negócio. Não adianta trabalhar com alimentação saudável e não ligar para o ambiente", afirma. A empresa também eliminou os canudos, compra de fornecedores locais e está tentando utilizar entregas por bicicleta. 

Desde a mudança, ela percebeu consumidores mais engajados nas redes sociais.

Os franqueados, porém, não aceitaram facilmente a novidade. "A substituição por copos de vidro foi um pouco complicada, principalmente nas lojas de shopping, onde é mais difícil ter um controle." 

Implementar ações sustentáveis é uma tendência, mas, segundo pesquisa do Sebrae, apenas 29% dos pequenos negócios têm práticas planejadas para diminuir seu impacto ambiental.

Essas ações existem desde a inauguração da Ecofit, franquia de academias que se autointitula ecológica e tem duas unidades em São Paulo. 

Por lá, a água que pinga dos aparelhos de ar-condicionado é reaproveitada. Além disso, os chuveiros contam com uma ampulheta que marca cinco minutos —o tempo recomendado para que se tome banho desperdício.

O interesse maior de consumidores por sustentabilidade também impulsiona negócios que envolvem produtos de segunda mão, como brechós.

Em 2015, quando a crise econômica atingiu sua loja de decoração, a designer de interiores Siomara Leite se viu obrigada a mudar de ramo: passou a vender roupas suas, da sócia Danielle Kono e das amigas. Quando percebeu, era dona de um brechó.

No Brechó Agora É Meu, localizado na fronteira entre Higienópolis e a Vila Buarque, no centro de São Paulo, ela e Danielle compram e vendem roupas de grife em bom estado —muitas nunca usadas. 

O negócio prosperou e acabou virando franquia. "Nós fomos percebendo aos poucos o potencial. No passado, havia um preconceito em relação aos brechós, mas as pessoas adquiriram consciência sobre a necessidade de reutilizar o que já existe e poupar recursos naturais", afirma Siomara.

Além do modelo de loja física, que, segundo as sócias, já tem dez interessados, o Brechó Agora É Meu tem uma modalidade mais simples de franquia: o Brechó Bag, que exige um investimento de R$ 5.900.

"É uma versão atualizada da sacoleira. Fazemos a curadoria das roupas e enviamos para os franqueados, que recebem uma mala personalizada. Assim, marcas chegam a locais onde não há essas lojas", diz Siomara. A versão foi lançada em maio e já há cerca de 70 interessados.

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