Franquias de casa e construção são as que mais crescem

Setor tem o melhor desempenho do primeiro trimestre, com expansão de faturamento e de unidades

Flávia G. Pinho
São Paulo

A recuperação do mercado imobiliário, após um período de crise, fez com que as franquias que atuam no universo de casa e construção tenham apresentado o melhor desempenho no setor no primeiro trimestre deste ano, segundo dados da ABF (Associação Brasileira de Franchising).

Em comparação com o mesmo período no ano passado, o faturamento desses negócios cresceu 12,9%, e a expansão em unidades chegou à marca dos 7,4%. O setor de franquias, de maneira geral, teve crescimento de 7%.

Segundo André Friedheim, presidente da ABF, o resultado era esperado, pelo cenário do mercado imobiliário. 

Essa tendência, aposta Friedheim, tem tudo para continuar forte. "O Brasil mantém um déficit habitacional e de infraestrutura muito grande. A melhora da economia tende a gerar negócios por muitos anos ainda", afirma. 

O cenário favorece especialmente as redes que atuam no segmento das obras civis. 

Com mais de 260 unidades espalhadas pelo Brasil, a Casa do Construtor, que aluga desde equipamentos robustos como andaimes e betoneiras, até ferramentas usadas por profissionais liberais, como serras, furadeiras e compressores para pintura, cresceu 20% em 2018 e espera aumentar ainda mais o ritmo neste ano.

O investimento inicial para novos franqueados não é baixo. Para adquirir um modelo compacto "store-in-store" —um quiosque de 12 metros quadrados montado dentro de lojas de materiais de construção— é necessário desembolsar a partir de R$ 250 mil.

Mas os bons resultados atuais têm atraído candidatos, de acordo com Altino Cristofoletti, sócio-fundador da companhia.

Só no primeiro trimestre, a rede inaugurou seis novas lojas, viu o número de clientes aumentar 14% e turbinou o ticket médio em 6%. "Esperamos chegar a 300 unidades até o fim de 2019", diz ele.

O otimismo também dá o tom na Dr. Faz Tudo. Fundada em 2009, em Campinas, no interior de São Paulo, a rede tem 15 unidades, em sete estados, e deve abrir outras 20 até dezembro.

De acordo com Lara Rossete, gerente operacional do Grupo Zaiom, proprietário da franquia, o faturamento do ano deve passar dos R$ 10 milhões, o que representa um crescimento de 20% em relação a 2018.

Um dos atrativos para os candidatos a franqueados é o baixo investimento inicial, na comparação com outros negócios. Em cidades de até 50 mil habitantes, é preciso desembolsar R$ 25 mil para abrir uma unidade. Em praças mais populosas, o valor é de até R$ 55 mil.

Nem é preciso ter um ponto comercial: cerca de 60% dos franqueados são "home based", isto é, mantêm escritório dentro da própria casa.

A equipe mínima exigida é composta de três profissionais: um pedreiro que também seja eletricista, um encanador e um supervisor para acompanhar as obras (que não pode ser o dono da franquia).

O faturamento médio mensal, diz Lara, é R$ 30 mil. "A crise até nos ajudou, porque muitos profissionais perderam seus empregos e se tornaram franqueados. Ao mesmo tempo, a clientela adiou a compra de imóveis novos e optou por reformar a casa e investir mais em manutenção", diz a gerente.

Franquias que atuam em outra ponta do segmento, a decoração, também estão pegando carona no princípio de retomada recente do mercado imobiliário.

A rede de galerias Urban Arts, inaugurada em 2009 e transformada em franquia quatro anos depois, tem 24 unidades em 14 estados. Dessas, somente três lojas, localizadas na capital paulista, são próprias.

O investimento inicial mínimo é de R$ 350 mil e não há formato econômico em função do tamanho do estoque: como o catálogo lista cerca de 100 mil obras de arte, com cinco opções de formatos, quatro de acabamentos e 20 de molduras, a loja deve ter, pelo menos, 40 metros quadrados.

No entanto, nenhuma dessas exigências tem espantado os interessados em investir, afirma o franqueador Gustavo Guedes.

Homem com camisa azul visto de baixo, com lustre colorido acima dele
Gustavo Guedes, sócio da rede de galerias Urban Arts, em São Paulo - Karime Xavier/Folhapress

"Não crescemos durante a crise, mas agora o ritmo de expansão tem sido intenso. Só em 2018, abrimos oito unidades. Neste ano, inauguramos mais uma e temos outras cinco assinadas."

As praças são escolhidas a dedo. Segundo Guedes, a maioria das lojas fica em capitais, mas o tamanho da população conta menos do que o poder de compra —embora as obras custem a partir de R$ 39, o ticket médio chega a R$ 1.350.

"Muita gente compra vários quadros ao mesmo tempo, quando se muda ou faz uma reforma, para decorar diversos ambientes", afirma.

A rede também tem loja online, onde é possível escolher os quadros assinados por cerca de 6.000 artistas pelos temas, formatos, tipo de papel e até cores predominantes. Mas Guedes garante que as vendas pela internet não concorrem com as franquias.

"Pelo contrário, o site só responde por 10% das vendas globais e funciona como um dos maiores alavancas de vendas. Registramos 270 mil acessos por mês, mas a maioria faz questão de ir à loja para fechar a compra."

Quem está analisando oportunidades dentro do segmento de casa e construção pode se perder diante de caminhos tão diferentes, que vão das reformas às obras de arte.

O primeiro passo, aconselha André Friedheim, presidente da ABF, é fazer um exercício de autoconhecimento. "Além de analisar criteriosamente os contratos e conhecer bem o sistema de franchising, que traz benefícios e também obrigações, é importante ter afinidade com o segmento."

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