Franquias de pequeno porte conquistam espaço no mercado com custos mais baixos

Redes diminuem tamanho de lojas para aumentar eficiência e atrair empreendedores novatos

Tatiana Vaz
São Paulo

Ganham força hoje no setor de franquias os empreendimentos de tipo "lean", ou enxutos, desenhados para operar sem desperdício, seja de espaço, estoque ou equipe.

Para os consumidores, o tamanho da loja não faz diferença, diz Vinicius Picanço, professor e coordenador do centro de empreendedorismo do Insper. O que importa é a qualidade do atendimento.

Esses modelos de franquias menores, diz Picanço, tornam o investimento na operação de marcas mais fácil e econômico. Por isso, atraem profissionais autônomos e empresários de primeira viagem, que sentem segurança com o suporte da franqueadora

Em momentos de crise econômica, quando há mais pessoas empreendendo porque precisam, é natural que esse formato cresça.

"Antes era muito mais caro ser franqueado. Esses modelos chegam para atender quem pode fazer um investimento inicial menor para empreender, seja por vocação ou necessidade", afirma Picanço.

De acordo com balanço do da ABF (Associação Brasileira de Franchising), houve um crescimento expressivo de franquias pequenas. A proporção de quiosques no total subiu de 6,5% no primeiro trimestre de 2018 para 8,6% no mesmo período deste ano.

Diego Bezerra com a mala que recebeu da franqueadora Suporte Smart, para consertar celulares em casa
Diego Bezerra com a mala que recebeu da franqueadora Suporte Smart, para consertar celulares em casa - Lucas Seixas/Folhapress

Também há participação relevante de franquias que nem loja física têm: 6% desses empresários trabalham de casa e 2,1% atendem em domicílio.

Essas duas últimas modalidades atraem os interessados em trabalhar com mais autonomia de horário e local de trabalho, como Diego Felipe de Farias Bezerra, 31. Ele é, desde janeiro, um dos franqueados da Suporte Smart, que faz assistência técnica de smartphones e tablets.

Ele estava desempregado e conta que já quintuplicou o valor que desembolsou para se tornar franqueado, em janeiro. "Agora invisto em cursos de administração e finanças para mim. Quero abrir um quiosque da marca e ter funcionários", diz.

Diego mora em Itaquera, na zona leste de São Paulo, e todos os dias se locomove de condução pela cidade para atender de cinco a sete clientes por dia. 

Além do treinamento em suporte e noções de marketing, ele carrega uma mala de ferramentas que recebeu da franqueadora. "Tenho tudo o que preciso para atender dentro dela", diz.

A ideia de fazer uma franquia que coubesse literalmente em uma mala surgiu para Guylherme Ribeiro, fundador da rede de franquia Suporte Smart, no ano passado. 

Na época, percebeu que 60% do seu público preferia inverter a lógica convencional e ter a loja dentro de casa ou do escritório, e não num ponto.

Criou, então, o modelo de franquia delivery por R$ 4.290. O kit vem com uniforme, crachá, cartão de visitas, ferramentas para consertos e acesso aos cursos de formação.

Lançada em 2017, a rede conta com mais de 130 unidades, sendo 12 lojas de rua, sete unidades próprias e 120 franqueados no formato de delivery. Esse modelo mais recente é o que mais contribui para os planos da empresa de ganhar mais mil novos franqueados até o final do ano.

Foi também para atender melhor os clientes e para conquistar mais franqueados que a fabricante de piscinas iGUi criou a enxuta rede de franquias de manutenção TrataBem, com unidades móveis, em um tipo de contêiner. 

O negócio já existe desde 2012 para formar piscineiros, mas foi todo remodelado nos últimos dois anos e será lançado neste mês.

A microfranquia tem como objetivo usar menos material químico e gerar menos desperdício de água na hora da manutenção das piscinas. O conceito de sustentabilidade também está presente nos contêineres, feitos com resíduos de fibras de vidro, material descartado da fabricação dos produtos da marca.

"Os pontos de vendas estarão em postos de gasolina e supermercados em regiões com maior uso de piscina, como litoral e interior", afirma Lilian Marques, 40, diretora-executiva da iGui TrataBem.

O interessado em ser franqueado da rede deve pagar R$ 68 mil para receber tudo que precisa para os seis meses iniciais de operação, incluindo peças para reparo de piscinas, produtos orgânicos de limpeza e tratamento e outros que evitam desperdícios de água, além de treinamento.

Modelos enxutos pensados para caber no bolso dos franqueados também estão sendo implementados pelas redes Boali, de comida saudável e Jin Jin, de pratos asiáticos. 

A primeira levou o mesmo cardápio das franquias em shoppings e lojas de rua a unidades menores feitas para atender prédios comerciais.

Já a Jin Jin estreou em Londrina, no Paraná, sua primeira unidade em contêiner, modelo que dá a liberdade de levar a franquia para o local que achar mais conveniente. 

"Estimamos que 15% da abertura de novas lojas da holding sejam neste novo modelo", afirma Christiano Evers, diretor de marketing do Grupo Halipar, dono da Jin Jin.

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