Evite clichês do tipo 'novo conceito' ao divulgar sua marca online

Fechar parcerias sem considerar o público-alvo mais atrapalha do que ajuda, diz consultora

Carolina Muniz
São Paulo

Com as redes sociais, o acesso aos canais de comunicação ficou mais fácil para pequenos empresários.

Muitos deles, porém, não planejam como transmitir sua mensagem e acabam propensos a cometer erros, diz Ligya Aliberti, diretora da consultoria Multivias, especializada em pequenas e médias empresas.

Para ajudá-los, a consultoria elaborou o livro "Comunicação (Des)orientada para PMEs: 30 Armadilhas que Pegam ou Vão Pegar sua Empresa" (Ed. Traços e Ideias, 96 págs., R$ 30), sobre o qual Ligya falará na Feira do Empreendedor, em São Paulo, às 16h15 de segunda-feira (7).

A seguir, ela explica cinco dessas armadilhas e o que fazer para evitá-las.

Dizer que seu negócio tem um "novo conceito"

Na dúvida sobre como anunciar seus produtos e serviços, muitas empresas recorrem a chavões. Um dos mais comuns é dizer que seu negócio tem um "novo conceito".

O problema é que nem sempre ele tem uma concepção tão inovadora assim. Se tiver, o melhor, então, é explicar qual é a novidade. 

"A companhia não diz que conceito novo é esse, e o público fica sem entendê-lo", afirma a consultora.

Antes de fazer a divulgação, é importante entender qual é o diferencial do que se está oferecendo e como isso muda de fato a vida dos consumidores. A partir daí, deve-se pensar na melhor maneira de transmitir essa mensagem de forma clara e direta. 

Acreditar que antecipar problemas é ser pessimista

Segundo Aliberti, muitos empresários não têm o costume de planejar a comunicação nem de avaliar todos os fatores que podem dar errado nessa área. Com isso, correm o risco de ter seu conteúdo mal interpretado.

O que diminui as chances de transmitir uma mensagem de forma equivocada ou sem o impacto desejado é envolver mais gente no processo.

"Comunicação é algo muito complexo para se pensar sozinho", diz. Afinal, a interpretação de uma fala pode mudar radicalmente de acordo com o contexto de quem ouve.

Se o empreendedor não conta com uma equipe dedicada à área, pode mostrar o conteúdo que pretende divulgar a funcionários e até a clientes mais próximos. Mas é fundamental não induzir suas respostas.

Pensar que qualquer divulgação vale a pena

Fazer permutas com outras empresas é um jeito de conquistar novos clientes sem precisar de um investimento pesado. O empreendedor oferece o seu serviço em troca de visibilidade na rede social ou no evento de um parceiro. 

Muitas vezes, os pequenos empresários têm a impressão de que a permuta sai de graça e que, assim, esse tipo de divulgação sempre vale a pena. Mas isso não é verdade, afirma Aliberti.

Oferecer um serviço tem um custo, e é preciso calcular se esse investimento terá retorno. Não adianta nada divulgar a marca para um público que não é o alvo.

Além de não ajudar, a ação pode atrapalhar o negócio. Se o parceiro tiver propostas e valores muito diferentes, isso pode confundir o consumidor e até mesmo manchar a imagem da empresa.

Parar de checar se pode mesmo usar o nome escolhido

O empreendedor escolhe um nome para a sua empresa. Quando começa a expandir seu negócio, descobre que a marca já está sendo usada por outra companhia. "É bem comum e dá muita dor de cabeça", diz a consultora.

Isso porque o empresário constrói um nome e, quando os consumidores passam a decorá-lo, é necessário fazer a mudança. "Aí, ele tem que fazer uma campanha gigante para acostumar o pessoal com o novo nome e, mesmo assim, vai levar um bom tempo para alcançar o nível que tinha antes", afirma.

Por isso, é importante consultar não só os registros na Junta Comercial, mas também no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).

Achar que os posts vão viralizar de primeira

Quando criam suas páginas nas redes sociais, os empresários querem "viralizar" —o que não é muito simples.

O desejo, claro, é atingir o maior número de pessoas. Mas isso não pode ser feito a qualquer custo. Até porque é mais fácil viralizar a partir de uma repercussão negativa.

Nas redes sociais, o mais importante é oferecer um conteúdo consistente, diz Aliberti. "É transmitir uma mensagem alinhada à marca e ao público. E ter paciência."

A consultora desaconselha firmemente a compra de seguidores. Mais importante que o número de usuários é o quanto as pessoas interagem de verdade com o conteúdo.

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