Como calcular o valor da sua empresa e saber se ela está no rumo certo

Conhecer o tamanho do negócio permite que o empresário trace estratégias para avançar mais

Cristiane Teixeira
São Paulo

Passar o negócio adiante, incluir um ou mais sócios, atrair investimentos, juntar duas marcas, desmanchar uma sociedade, dividir heranças. Em todas essas situações, nada anda enquanto não se conhece o valor de cada empresa envolvida.

Mas até quem não se encaixa nas situações acima deveria fazer questão de conhecer o valor do próprio negócio e entender se ele está encolhendo ou crescendo. “Isso permite traçar estratégias para recuperar o rumo ou avançar ainda mais”, afirma David Kallás, professor do Insper e sócio da consultoria de gestão KC&D.

“Esse é o indicador mais importante para o empresário controlar. Assim ele verifica se faz sentido continuar aplicando energia e capital ali ou se compensa mais deixar o dinheiro no banco”, completa Fábio Vitola, que é mentor da organização de apoio ao empreendedorismo Endeavor e sócio da Galapos, consultoria especializada em gestão de valor, fusões e aquisições.

Exceto pelas companhias de capital aberto, que têm seu preço lastreado por ações em bolsa, todas as outras dependem de muitos cálculos e ponderações para se chegar a um valor justo.

Mãos femininas usam calculadora, com papéis espalhados em uma mesa
Thodonal/Adobe Stockstock

Uma opção para o empresário é tomar como parâmetro os montantes pelos quais são vendidos empreendimentos parecidos com o seu, sempre analisando o Ebitda (lucro antes da incidência de impostos, juros, depreciações e amortizações) de um e de outro. Esses dados, quando disponíveis, costumam ser publicados em jornais, revistas e páginas de internet focados em negócios.

No Brasil, porém, impera a escassez de informações desse tipo, segundo Vitola. “Nos Estados Unidos, milhares de transações acontecem e são divulgadas todos os anos, então há muitas referências. Aqui, não."

Por falta de conhecimento, muitos micros e pequenos empresários quantificam apenas os bens materiais: equipamentos, computadores, mobiliário, estoques e imóvel, se for próprio e estiver à venda. É a chamada avaliação patrimonial, que ignora a rentabilidade e o tempo da empresa, bem como o tamanho de sua clientela.

“Fazer isso é dizer que o negócio não vale nada e que o valor se restringe ao patrimônio”, explica David Kallás. Esse tipo de avaliação, porém, é obrigatório quando envolve disputas jurídicas, caso de divisão de herança e falência, por exemplo.

Há outros modos de valorar uma empresa: um dos mais fiéis e seguros é o fluxo de caixa descontado, na opinião dos especialistas. Isso porque se baseia em todos os custos, despesas e receitas para chegar ao lucro real gerado.

“Sabendo qual o fluxo de caixa nos anos anteriores, é possível projetar como ele será nos próximos anos”, diz o mentor da Endeavor. A soma do lucro esperado para o futuro servirá de base ao cálculo final. 

Em tese, quem vende uma empresa deveria estimar o lucro que ela teria pelo resto da vida, mas, na prática, a conta é outra. “Devido às incertezas da nossa economia, o mais comum é considerar os cinco anos seguintes”, afirma Vitola.

Mas a soma do lucro funciona somente como base porque dela é preciso debitar o risco envolvido no negócio —o que o mercado chama de taxa de desconto. Conhecida como WACC, ela varia de empresa para empresa e reflete o custo do capital investido, seja ele próprio ou emprestado.

“Simplificando, a taxa de desconto cobre os juros e dá um pequeno prêmio ao comprador pelo risco que está assumindo”, esclarece Kallás.

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