Dupla de arquitetas mineiras fecha parceria com grande escritório italiano

Empreendedoras comandam projeto da primeira vila humanitária da Cruz Vermelha no mundo

Cristiane Teixeira
São Paulo

As arquitetas mineiras Janaína Massote, 42, e Flávia Miranda, 50, tinham apenas um ano de sociedade quando fecharam uma parceria com um grande escritório italiano, o ReCS Architects, em 2018.

Hoje tocam, entre outros projetos, um bairro planejado em Uberlândia (MG), um complexo turístico de 70 hectares no interior de São Paulo e a primeira vila humanitária da Cruz Vermelha no mundo, que será construída em Contagem (MG) para atender 12 projetos sociais da região —com estimativa de custo de R$ 25 milhões.

O ReCS, que atua nas áreas de design de interiores, arquitetura e urbanização em grandes obras em países como Emirados Árabes e China, foi fundado em Parma, em 2008, já com planos de expandir internacionalmente.

Janaína foi a responsável por contatar a empresa italiana. Ela havia conhecido em Londres, cidade onde morou entre 2016 e 2017, um advogado do escritório, e conseguiu ser apresentada a seus fundadores. Depois de se juntar a Flávia, retomou o contato com os italianos, que aceitaram fazer uma reunião.

As arquitetas Flávia Miranda, 50, e Janaína Massote, 42, do escritório ReCS Brasil
As arquitetas Flávia Miranda, 50, e Janaína Massote, 42, do escritório ReCS Brasil - Daniel Britto/Divulgação

O encontro aconteceria no aeroporto de Guarulhos, durante um intervalo de uma hora, numa passagem de uma diretora do ReCS por São Paulo. “Tínhamos pouco tempo para preparar nossa apresentação, que aconteceria em um local conturbado e barulhento”, lembra Janaína.

De forma objetiva, elas apresentaram portfólio, modelo de negócio, proposta de expansão, filosofia de trabalho, metodologia de gestão e visão de projeto. “Nosso vínculo se estabeleceu ali e passamos a nos falar toda semana. Quaisquer que fossem o dia e o horário que eles marcavam, ficávamos em frente ao computador, conversando por Skype. Isso os deixou mais confiantes", diz Janaína.

Além de assegurar aos italianos o mesmo rol de atividades que eles já desempenhavam, Janaína e Flávia ofereceram mais: integração de projetos de arquitetura e engenharia, análise de tendências de consumo, estudo vocacional de terrenos, prospecção de negócios e de investidores, estudos de viabilidade técnica e financeira de empreendimentos, marketing e venda de imóveis.

Quando firmaram a sociedade, as arquitetas estabeleceram que não teriam mais um escritório exclusivamente de projetos. Pretendiam, sim, atuar em todas as frentes do negócio imobiliário, conta Janaína, que também é administradora e tem MBA em gestão. Com esse perfil, ela assumiu a diretoria executiva da empresa, enquanto Flávia ficou como diretora de criação.

Ao negociar com os italianos, elas também garantiram as próprias condições. “Não queríamos ser apenas desenvolvedoras de projetos, mão de obra barata para escritórios internacionais. O mais importante era ter autonomia de gestão e independência para identificar os projetos que devem ser conduzidos em conjunto e quais etapas merecem ser elaboradas desse jeito.”

As formas de remuneração são variadas e valem para todas as unidades da ReCS. Quem capta o projeto recebe um determinado percentual por esse serviço, quem desenvolve essa ou aquela etapa arremata outro tanto.

Para cobrir tantas áreas de atuação, elas optaram pela subcontratação de equipes especializadas, escolhidas de acordo com as especificidades de cada projeto. Mesmo assim, foi preciso abrir uma filial em São Paulo e aumentar o próprio time de quatro para dez funcionários, entre arquitetos, designers e profissionais com funções administrativas.

“Temos uma projeção de crescer pelo menos cinco vezes em cinco anos, a partir do início de nossa operação de expansão das atividades”, diz Janaína.

FICHA DAS EMPREENDEDORAS

Começo: 2017 (sociedade)

Investimento inicial: R$ 50 mil apenas para consultorias de gestão e planejamento, uma vez que o escritório já estava montado

Origem do capital para iniciar: próprio

Onde: sede em Belo Horizonte (MG) e filial em São Paulo

Número de funcionários: 10

Faturamento: não pode ser divulgado por questões contratuais

O que um empreendedor deve ter: Autoconfiança, capacidade de planejamento, coragem e perseverança

O mais difícil de empreender: Lidar com pessoas, dependendo do trabalho de muita gente, de grandes times. Gerenciar todo esse processo é um grande desafio

Maiores ganhos ao empreender em associação com um grupo estrangeiro: Ter nosso trabalho reconhecido e valorizado acelerou o acesso a novos mercados. Além disso, participar de uma equipe multicultural abre inúmeras possibilidades e proporciona um desenvolvimento imenso em pouquíssimo tempo

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