Redes de franquia oferecem pacote de benefícios para atrair empreendedor

Demissões e acordos decorrentes da pandemia impulsionaram potenciais investidores

Ricardo Bunduky
São Paulo

Investir em um negócio da ordem de seis dígitos em plena pandemia pode ser uma boa ideia. Isso porque dezenas de franquias aliaram suas percepções do mercado com reformulações estruturais e soluções de crediário para motivar investidores.

Descontos na taxa inicial, isenção de taxas fixas e condições especiais de financiamentos compõem alguns dos benefícios oferecidos pelas redes de olho na expansão.

A Chocolateria Brasileira, varejista de chocolates finos sediada em Marília (SP), divulgou nas redes sociais um desconto de 55% na taxa de franquia (de R$ 22,5 mil para R$ 10 mil), isenção de royalties pelo período mínimo de um ano (5% do faturamento bruto) e cancelamento da taxa de renovação do contrato depois dos cinco anos previstos no primeiro acordo.

De acordo com Cíntia Pitta, gerente de expansão da marca, desde o anúncio da promoção, a rede teve 12 novas adesões. Foram priorizadas lojas de rua em vez de pontos em centros comerciais. “Neste momento, qualquer custo fixo que se imponha ao empreendedor pode inviabilizar um negócio”, afirma.

Esse pacote de benefícios serviu de estímulo para William Renato de Almeida, 43, retomar os diálogos com a marca e concretizar o negócio que já havia estudado antes da pandemia. Ao custo de R$ 150 mil, ele inaugurou, em julho, uma unidade em Caraguatatuba (litoral de SP).

A aceitação da marca no município, o ritmo de retomada das atividades e a localização do ponto comercial, que fica no centro da cidade turística, foram decisivos.

Uma exigência de Almeida foi a liberdade para destinar os recursos da taxa de propaganda (2% do faturamento bruto mensal) a campanhas locais, feitas com influenciadoras conhecidas na região.

Segundo o consultor do Sebrae-SP Adelmo Solera, as consequências da pandemia criaram novos investidores em potencial: pessoas que foram demitidas e receberam indenização ou fizeram acordo com as empresas.

Antes de ser seduzido pelos descontos, ele recomenda redobrar a atenção com o que está sendo proposto. “Carência é diferente de isenção. De repente, pode haver cobrança retroativa dessas taxas.”

A empresária Cássia Buratto, 36, de Santo André (Grande São Paulo), acaba de lançar um coworking de consultórios médicos. Para atrair investidores ao seu negócio, ela ofereceu uma taxa de franquia baixa em comparação com o resto do mercado (R$ 39 mil) e fez parceria com uma fintech de crédito.

Na Buratto Consultórios, especialistas de diversas áreas podem pagar uma taxa mensal para realizar atendimentos em espaços compartilhados.

Com opções de três e quatro salas, as clínicas são mobiliadas, têm secretária e contam com um software próprio de gerenciamento de agendamentos e telemedicina.

“Por enquanto, o meu objetivo é atingir uma primeira meta, de abrir unidades em pontos específicos”, diz ela.

O espaço em São Paulo fica na região da avenida Paulista, localização escolhida por ser uma área rodeada de hospitais. “Mesmo sem divulgar já estamos recebendo interessados”, afirma.

Quem vai operar a clínica na capital é Denis Dogo Laseri, 37. ”Notei que muitos médicos estavam entregando os consultórios, por causa dos custos fixos”, conta. “O investimento pedia um capital que eu estava disposto a aplicar.”

O empresário desembolsou, além dos R$ 39 mil iniciais, cerca de R$ 75 mil para reformar o imóvel de 55 metros quadrados onde irão funcionar quatro consultórios.

Nos últimos meses, ele lançou dois formatos alternativos de clínica, mais baratos e com menos salas, mirando cidades menores. Mas a estratégia que resultou nos 14 novos contratos fechados entre julho e agosto foi um desconto de 30% da taxa inicial, que começa em R$ 29 mil para o modelo mais enxuto.

Mauri acredita que o afrouxamento da quarentena foi um dos fatores que ajudaram na expansão da marca. “A maioria das pessoas que voltou a trabalhar presencialmente depois de tanto tempo queria estar com boa aparência.” O diferencial de sua marca, afirma, é oferecer procedimentos de beleza a pessoas de menor poder aquisitivo.

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