Empreendedores contam como aprenderam a comandar uma empresa pequena

Como inovar na prática e quais diferenças entre uma grande cooporação e um negócio familiar são parte do relato

São Paulo

Dois empresários de perfis diferentes contam suas experiências: um deles, de aprender a comandar uma empresa na prática por mais de 40 anos e outro de trocar uma grande cooporação por um negócio familiar. Veja abaixo.

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‘Depois de passar por grande empresa, fiz cursos para gerir uma pequena’

Antes de assumir a Starpack Química, uma empresa da minha família, eu trabalhava na Cielo como coordenador de projetos na área de TI. Fiz essa transição em 2015, mas foi um baita desafio: saí do ramo de tecnologia e fui para o de produtos químicos. Muitas das matérias-primas usadas na fábrica, que fica em Guarulhos (SP), são controladas pelo Exército e pela Polícia Civil.

Mas outra grande questão dessa mudança foi perceber que, em uma companhia grande, os papéis são bem definidos. Quando você precisa de uma informação, chama a equipe responsável. Já em um negócio pequeno, o empreendedor dá a palavra final, ele é o faz tudo.

Quando assumi a Starpack, já era formado em administração com pós-graduação em gestão financeira. Mesmo assim, senti a necessidade de fazer cursos para colocar planos em prática e resolver questões do dia a dia.O primeiro foi uma pós em gestão industrial farmacêutica na Faculdade São Caetano, que me ajudou a saber onde estava pisando, conhecer protocolos e melhorar a produtividade da fábrica.

Também fiz cursos sobre controle de produção, tributação, análise de crédito e cobrança e precificação. Eles me ajudaram eliminar problemas que eu não tinha muito tempo para resolver —muitas vezes com aulas de apenas dois ou três dias. Agora, terminei uma capacitação para conseguir exportar na Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) porque queremos aproveitar o câmbio em alta para vender para fora. Nesse negócio, a questão do conhecimento é constante.

Felipe Ribeiro Silva, 38
dono da Starpack Química

O empresário Felipe Ribeiro Silva na sua fábrica, em Guarulhos (SP)
O empresário Felipe Ribeiro Silva na sua fábrica, em Guarulhos (SP) - Keiny Andrade/Folhapress

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‘Tudo que sei hoje aprendi na prática, em 46 anos de muito trabalho’

Aos 15 anos, fui trabalhar na empresa do meu pai, a Printon, que fazia fotolitos, os filmes usados para fazer impressão naquela época, 1974. Depois de um curso de artes gráficas no Senai, sugeri investir em equipamentos para produzir fotolitos coloridos. Queria ter um diferencial. E foi um sucesso.

Mas essa técnica decaiu e tudo o que aprendi ficou para trás. Tenho 46 anos de empresa e, nesse tempo, a gente teve que se reinventar muitas vezes. Minha formação é em artes gráficas, de resto tudo o que aprendi foi na prática. Cada vez que eu compro um equipamento, conheço tudo o que ele pode fazer, mesmo que não vá operá-lo. Assim, consigo dizer ao cliente o que posso fazer por ele.

Houve momentos em que eu pensei: “Agora a gente não vai ter que investir em mais nada”. Mas, se eu não investisse, o meu concorrente iria e minha empresa poderia morrer. Nesses anos todos, a Printon não guardou dinheiro: tudo o que a gente tinha, investia em tecnologia. Em 2005, abrimos uma gráfica, que hoje fica na Vila Prudente, zona leste de São Paulo. Crescemos devagarzinho.

Dez anos depois meu pai morreu e fiquei sem chão. Mas tive que me refazer. Superamos a chegada da mídia digital, um grande choque para a indústria gráfica, fazendo produtos personalizados e com maior valor agregado —produzimos até uma embalagem com aroma. Quando a pandemia chegou, tive que procurar um novo segmento. Comecei a fazer embalagem para delivery. Como empreendedor você acha que sabe tudo, mas de repente precisa começar do zero.

Luiz Fernando Guedes, 61
dono da Printon

Luiz Fernando Guedes na Printon, na zona leste (SP) 
Luiz Fernando Guedes na Printon, na zona leste (SP)  - Keiny Andrade/Folhapress

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