Confira 10 erros comuns que podem afundar seu negócio nas redes sociais

Transformar perfil em mera vitrine e responder mal os clientes pode levar a empresa ao fracasso

São Paulo

Em 2020, empresários que ainda não tinham presença virtual tiveram que olhar para as redes sociais.
Com a restrição ao funcionamento das lojas físicas e o maior receio dos clientes em sair de casa, vendas online foram, e continuam sendo, fundamentais para que negócios sigam funcionando.

A falta de experiência, entretanto, pode levar o empreendedor a cometer falhas banais na gestão desses canais, que podem afundar a empresa.

A seguir, confira dez dos erros mais cometidos pelas empresas, segundo especialistas na área. São eles: André Miceli, professor da FGV (Fundação Getulio Vargas); Fernanda Vicentini, professora da ESPM; Ligya Aliberti, diretora da consultoria Multivias; e Renata Carvalho, coordenadora do Ciclo MPE da Câmara Brasileira da Economia Digital.

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Não informar o básico
Se coisas simples como horário de funcionamento e preços não estiverem disponíveis facilmente, passa-se uma péssima impressão, como se a pessoa entrasse numa loja fantasma, onde há produtos expostos e nada mais.
Um exemplo clássico desse tipo de descaso é o famoso “preço por inbox”, quando a empresa não deixa essa informação disponível e só a revela por mensagem privada.
Além disso, as postagens precisam ser constantes —feitas ao menos uma vez por semana, para indicar que o negócio está ativo.

Fazer do perfil um outdoor
Se a empresa publicar só fotos de produtos, por mais que as informações das postagens estejam corretas, isso pode acabar irritando os seus seguidores, que vão ter sua linha do tempo tomada por mercadorias.
Em vez disso, interaja com o público: faça enquetes, poste stories, conte mais sobre seus itens, não simplesmente poste suas fotos.
Esse engajamento ajuda a vender mais do que criar uma simples vitrine. As redes sociais não são lugar para apenas anúncios estáticos.

Catarina Pignato

Comprar seguidores
A prática não é nova, mas segue recorrente: companhias vendem seguidores a outras empresas para que estas pareçam que têm um maior engajamento. Isso, no entanto, não ajuda em nada os negócios.
Nesses pacotes, em geral, estão incluídos usuários que são robôs e pessoas de outros países —cuja língua nem sequer é o português.
É melhor ter menos seguidores, mas mais engajados, do que vários que nem sabem da existência da sua empresa.

Usar mal as hashtags
As hashtags são uma ferramenta de busca importante disponibilizada pelas redes sociais, porque indexam conteúdos, mas costumam ser usadas de maneira incorreta.
Enquanto muitos simplesmente as ignoram (e assim deixam de aumentar seu alcance orgânico), outros as utilizam de maneira equivocada, #colocando #o sinal #em #frente #a #cada #palavra ou antes de termos que nada têm a ver com seu negócio.
Se utilizada de maneira estratégica, priorizando palavras-chave para o produto ou serviço, as postagens serão distribuídas para quem tem interesse no que você vende.

Não impulsionar conteúdo
As redes sociais funcionam na base da publicidade. É assim que essas grandes empresas da tecnologia lucram, inclusive. O pequeno empresário não pode, portanto, ter a ilusão de que vai conseguir ter um grande engajamento em suas postagens e alcançar muitos consumidores sem fazer uso dessa estratégia.
Muitos empreendedores acham que essas ferramentas “não são para eles”, mas é possível impulsionar postagens sem muito dinheiro. Uma campanha, por exemplo, pode chegar a um bom alcance a partir de um investimento de R$ 200. O impulsionamento é válido especialmente quando há promoções ou produtos com forte apelo para vendas.

Copiar e colar posts
É usual que empreendedores queiram copiar o que seus concorrentes ou empresas grandes do seu segmento fazem nas redes sociais. Mas isso mata a identidade de qualquer negócio. Se a marca não tiver algo que a diferencie das outras, vai perder clientes.
Além disso, há modas que não fazem necessariamente sentido para todas as empresas, caso de dancinhas no TikTok para promover produtos. Entenda quem é o seu cliente.

Ignorar o cliente
Um possível comprador se interessa pelo produto e escreve buscando mais informações, mas ninguém nunca o responde. Este é um erro dos mais recorrentes e também um dos mais prejudiciais ao negócio.
O empresário deve separar ao menos uma hora por dia para fazer uma “ronda” e retornar os contatos. A resposta deve ser dada o mais rápido possível, de preferência em até 24 horas.

Retrucar com grosseria
Pior do que não responder o consumidor é se dirigir a ele de maneira desrespeitosa ao receber uma crítica nas redes.
Respostas como “você não é mesmo o tipo de cliente que queremos” ou “você não sabe de nada sobre nosso produto” são recorrentes e podem causar um sério dano à imagem da marca. Registros desse tipo de resposta se espalham pelas redes e frequentemente viram memes.
O recomendado é agradecer pelo feedback, mesmo que seja negativo, e entrar em contato com o cliente para entender melhor a experiência pela qual ele passou.

Descartar influenciadores
Pequenos empresários ignoram o poder dos influenciadores nas redes sociais, porque costumam associar o termo a contas com milhões de seguidores, cujos donos cobram pequenas fortunas por uma postagem publicitária.
No entanto, há outro universo a ser explorado: o dos nano e microinfluenciadores, com poucos milhares de seguidores. Em geral, eles têm atuação regional ou focada em um nicho de mercado.
Vale mapear os influenciadores que têm mais a ver com o perfil da marca e lhes oferecer propostas. Muitas vezes, há possibilidade de fazer permutas —os famosos “recebidos”, quando eles mostram em suas redes os produtos com os quais foram presenteados.

Não ter padrão de qualidade
O bom nível técnico das postagens conta e é muitas vezes esquecido por alguns empreendedores, sobretudo por causa da correria do dia a dia.
Imagens com resolução baixa, pixeladas, ou um cenário desarrumado e textos com erros básicos de português passam uma imagem de desleixo. Ninguém precisa contratar um fotógrafo profissional ou usar linguagem erudita, mas é preciso haver um padrão de qualidade.

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