Descrição de chapéu casamento

Empresa que monta bar em casamentos cria delivery de drinques para superar a crise

Ateliê de vestido de noiva produz roupa para o dia a dia, e fotógrafa faz ensaios online

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São Paulo

Com o mercado das festas de casamento quase completamente parado há mais de um ano, empreendedores que dependiam desse tipo de evento tiveram de adaptar seus negócios, dando-lhes novas funções, para continuar funcionando.

Denis Bueno Mota, 32, comanda há 13 anos, junto com o irmão, Elvis, a Pepper Drinks, empresa que organiza bares de eventos e contrata bartenders. De acordo com ele, os casamentos representavam cerca de metade do faturamento.

Com o início da pandemia e o cancelamento das festas, os irmãos resolveram dedicar suas forças ao Web Bar, um ecommerce criado por eles em 2014 (então com o nome de Pepper Shots), mas que não recebia tanta atenção.

“Antes, 99% do faturamento vinha dos eventos e 1%, da venda online. Mudamos totalmente o foco, inclusive levando os colaboradores de uma empresa para outra, sem demitir ninguém”, diz Denis.
A Web Bar entrega bebidas, kits com todos os insumos para a preparação de drinques e acessórios, como dosador e coqueteleira, para os clientes beberem em casa. Com o confinamento, a ideia prosperou.

Os irmãos Elvis (à esquerda) e Denis Bueno Mota, na sede de sua empresa, a Web Bar, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo
Os irmãos Elvis (à esquerda) e Denis Bueno Mota, na sede de sua empresa, a Web Bar, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo - Keiny Andrade/Folhapress

“Em dezembro do ano passado, eu atingi R$ 300 mil de faturamento, valor que tinha sido meu recorde em 13 anos de Pepper. Deu muito mais certo que o esperado, e sem o Web Bar eu provavelmente teria falido”, afirma Denis.

Um kit com garrafa de gim, oito especiarias, colher e dosador sai por R$ 319.
A ideia, agora, é manter as duas empresas funcionando concomitantemente quando os eventos presenciais voltarem. Com sede em São Bernardo do Campo, a Web Bar tem 11 funcionários e fatura, em média, R$ 250 mil por mês.

Outra empresária que teve de mudar seu negócio para sobreviver à crise é Raquel Martins, 43, dona de um ateliê que leva seu nome em São José do Rio Pardo (SP).

O negócio, que tem 20 anos, vende e aluga vestidos para casamentos (incluindo o de noiva) feitos sob medida. Com a parada nas festas, a solução foi se dedicar a uma marca de roupas para o dia a dia.

“Eu investi fortemente na nossa linha de peças prontas. Criei campanhas, divulguei, virei uma influenciadora da minha própria marca. Me expus muito para fazer dar certo. Estava em parafuso”, relata a empreendedora, ao lembrar do início da pandemia.

A marca Raquel Martins até já existia, mas respondia por menos de 10% do faturamento da empresa, que priorizava os trajes para festas.

O esforço deu resultado, e hoje a empresa consegue vender cerca de 300 peças por mês, entre pijamas, calças e vestidos.

“Nós vamos entendendo o que o mercado quer. Trouxemos o capricho que temos com o sob medida para peças prontas”, diz.

Assim, o ateliê não demitiu nenhum de seus 15 funcionários, o que era o objetivo principal de Raquel. Hoje, o faturamento corresponde a 80% do anterior à pandemia (que ficava entre R$ 80 mil e R$ 100 mil por mês).

Profissionais que atuam de maneira independente em casamentos também foram afetados. A fotógrafa Renata Pitanga, 44, tinha 90% de sua receita vinda de eventos —mais ou menos metade deles eram casamentos.

“Minha solução foi estudar muito, ir atrás mesmo, para aprender outras formas de trabalhar”, afirma.
Uma delas foi a fotografia online, no qual o profissional, a partir de uma chamada de vídeo, faz capturas de tela.

“Eu oriento as pessoas sobre onde eles devem ficar, vejo a luz, falo quais objetos do ambiente ficariam legais e vou desenvolvendo”, afirma.

Uma vantagem é poder chegar a clientes de qualquer lugar do mundo. “Fiz um ensaio com um chef de João Pessoa, e na casa entrava uma luz maravilhosa. Estou agora negociando com uma moça de Montenegro [país nos Bálcãs]”, exemplifica. Ela cobra R$ 30 por clique, em pacote com no mínimo cinco fotos.

Além disso, durante o período, ela fez cliques de pratos para cardápios de restaurantes, fotos corporativas pessoais e também ensaios para o mercado da moda.
Renata diz que hoje ganha algo próximo da metade do que ganhava antes da pandemia, mas que as soluções cobrem seu custo de vida.

Fábio Costa de Souza, consultor do Sebrae-SP, diz que o setor de prestadores de serviços para casamentos tem um problema além dos comuns a outras áreas, o que torna as alternativas buscadas pelos empresários ainda mais importantes.

“Muita gente recebe adiantadamente, bem antes das festas. Ou seja, quando os eventos voltarem, não terão mais o que receber em alguns casos.”

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