O empreendedorismo ajudou o artesão Tiago Salvador, 29, criador da marca de moda Timóteo, a contornar sintomas de ansiedade e superar um princípio de depressão.
Quando começou a trabalhar com roupas, Tiago conta que estava abalado psicologicamente porque não havia assumido ainda que era gay. “Aquilo [o trabalho] foi meu modo de espairecer um pouco a mente”, diz.
A história é tema do décimo primeiro episódio da série Negócios Plurais, sobre empreendedorismo e diversidade, realizada pela Folha em parceria com o Instagram. Toda semana, o jornal publica em seu perfil na rede social relatos em vídeo de empreendedores de todas as regiões do país.
Recifense, Tiago Salvador cresceu em Vitória de Santo Antão e Gravatá, no interior de Pernambuco. Seu pai trabalhava reformando estofados, e o empreendedor começou a costurar como forma de passatempo. "Nessa época não tinha muita coisa para se fazer como na capital".
Mais tarde, de volta a Recife e já trabalhando em uma loja colaborativa, tudo que produzia vendia rapidamente, o que o incentivou. Foi aí que decidiu estudar sobre moda e sustentabilidade.
A Timóteo trabalha com peças que têm várias modelagens e servem diversos biótipos. “Todas elas com matéria-prima natural cortada dentro do padrão do zero waste [zero desperdício]”, conta.
O maior desafio, segundo ele, é que, antes de considerarem o preço, os consumidores entendam o trabalho por trás do produto final.
Tiago conta que criou um manifesto, publicado no perfil da marca no Instagram, com propostas para produção, execução, compra e venda de produtos. A ideia, segundo ele, é mostrar que a Timóteo trabalha de forma equitativa e sem exploração.
Na página da rede social, Tiago contrasta as peças de roupa com materiais de construção, paredes sem acabamento e blocos de tijolos ao fundo.
Eu gosto de contrastar com coisa tida como esteticamente feia quando na verdade faz parte da visão que a gente tem no dia a dia. A gente sai na rua e vê uma parede pichada ou sem reboco.
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