Milhares manifestam apoio à decisão de não renovar concessão de RCTV
Milhares de apoiadores do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tomaram as ruas da capital Caracas, em apoio à decisão do governo em não renovar a concessão do canal de TV oposicionista RCTV. As manifestações também foram um contraponto contra os protestos que se seguiram após a remoção do canal de TV, no último dia 27, em que manifestantes acusaram o líder venezuelano de atentar contra a liberdade de expressão.
O ministro da Informação Willian Lara disse que a marcha "demonstraria para o mundo que não-renovação [da licença da RCTV] é uma conquista democrática", e afirmou que o canal privado foi "resgatado de um pequeno grupo econômico".
O aposentado Alfredo Cambeiro disse que os aliados de Chávez reconhecem a necessidade de uma imprensa crítica, mas que falta no país veículos realmente objetivos. Ele disse que a nova estação de TV que assumiu o espaço da RCTV preencha essa ausência. "Eu eu quero ver críticas construtivas, substantivas", afirmou.
Golpe
Chávez considera que o fim do canal é um combate ao "capitalismo e à ditadura da mídia". Ele acusa a RCTV de "envenenar" os venezuelanos uma programação que promove o capitalismo. O canal também é acusado de ter apoiado o golpe que tentou derrubar Chávez do poder em 2002. Ele chegou a passar dois dias preso, mas recuperou o poder logo depois.
A retirada da RCTV do ar não pára de causar polêmica e protestos no país, já que muitos questionam se a decisão de Chávez pode representar uma ameaça para a democracia na Venezuela. Neste sábado, na Cidade do México, um pequeno grupo de manifestantes se reuniu em frente à embaixada da Venezuela para protestar contra a decisão de Chávez.
Oposição
Uma barreira de dezenas de policiais de tropa de choque, respaldada por um caminhão de jato de água e um helicóptero, impediu que vários milhares de estudantes deixassem a Universidade Católica Andrés Bello (Ucab) para protestar em favor da liberdade de expressão, em razão do fim da concessão da emissora oposicionista RCTV, no domingo passado.
A marcha foi proibida pelo prefeito da região central de Caracas, Freddy Bernal, aliado do presidente Hugo Chávez. A tropa de choque é da Polícia Metropolitana e também está à disposição do governo federal.
Interferência
O representante de Caracas na Organização de Estados Americanos (OEA), Jorge Valero, disse neste sábado que o país vai considerar uma "interferência" em seus assuntos internos qualquer menção ao caso RCTV durante a assembléia geral da organização, que começa amanhã, no Panamá.
A Venezuela quer fazer uma "contribuição construtiva' para que a Assembléia ocorra em um ambiente de discussões, "respeitando os acordos acertados previamente em Washington entre os países-membros, disse Valero.
Com Associated Press, France Presse e Folha de S.Paulo
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