Leia perfil do ditador Fidel Castro
O ditador cubano Fidel Castro, 81, que anunciou nesta terça-feira a renúncia à Presidência Cuba e a seu cargo de comandante do Partido Comunista após 49 anos na liderança, já estava afastado do cargo desde julho de 2006, por motivo de doença. Ele encabeçou a Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.
Leia, a seguir, alguns dados sobre a vida do presidente cubano:
| Reuters |
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| Reprodução de imagem de Fidel veiculada pela televisão de Cuba após internação em 2006 |
Fidel Castro nasceu no dia 13 de agosto de 1926 em Birán, oriente de Cuba, filho de Ángel Castro, imigrante espanhol e latifundiário, e Lina Ruz, que conheceu a Ángel trabalhando em sua fazenda. Aos quatro anos o pai envia Fidel à Província de Santiago de Cuba. Aos oito anos é batizado como Fidel Hipólito, e apenas aos 17 anos é reconhecido pelo pai e registrado com seu nome definitivo: Fidel Alejandro Castro Ruz.
Em 1945 ingressou à Universidade de Havana onde se graduou em Direito em 1950. Na época da universidade começou seu interesse por política e pelo pensamento comunista. Em 1948 se casou com Mirta Díaz Balart. Em 1949 tiveram um filho e se divorciaram em 1954.
O processo de mudança política em Cuba encabeçada por Fidel começou em 26 de julho de 1953, quando um grupo de cerca de 120 pessoas tentou tomar de assalto o quartel Moncada em Santiago de Cuba.
O ataque se converteu em uma derrota para as forças revolucionárias. Muitos dos combatentes foram mortos e presos. A operação, contudo, deu popularidade a Castro, então um dirigente universitário de 26 anos, e deu origem ao Movimento 26 de julho, que acabou derrubando Batista, em 1959.
Durante o julgamento que seguiu o ataque a Moncada, Fidel pronunciou sua famosa defesa, conhecida como "A História me absolverá". Foi condenado a 15 anos de prisão na Ilha de Pinos, mas é libertado 22 meses depois, graças a uma anistia.
| Reprodução |
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| O revolucionário argentino Ernesto Che Guevara, que participou da Revolução Cubana com Fidel |
Viajou ao exílio no México, onde conheceu ao médico argentino Ernesto Che Guevara (1928-1967), ao qual se junta para comandar a Revolução Cubana.
No dia 2 de dezembro de 1956 regressou a Cuba comandando 81 expedicionários no iate Granma. Poucos dias depois, os rebeldes foram surpreendidos em Alegría de Pío e praticamente aniquilados. No dia 18 de dezembro de 1956 os sobreviventes conseguiram reunir-se novamente na Serra Maestra para começar uma nova luta contra o governo do ditador Fulgêncio Batista.
Governo
A guerra durou dois anos. A revolução triunfou e Fidel e seu grupo entraram na capital, Havana, no dia 8 de janeiro de 1959. No dia 16 de fevereiro Castro assumiu o cargo de Primeiro Ministro.
Em abril de 1961 declarou Cuba Estado socialista. No mesmo ano, comandou pessoalmente as tropas que derrotam um grupo ligado à CIA (agência de inteligência dos EUA) que tentava entrar em Cuba por Girón.
Em 1968 o governo de Castro assumiu praticamente todos os negócios privados do país, menos pequenas propriedades agrícolas.
Em 1971 Fidel viajou ao Chile, convidado pelo governo de Salvador Allende (1970-1973).
EM 15 de outubro de 1976, na despedida do velório das vítimas de um atentado a um avião da empresa Cubana de Aviación em Barbados, promovido pela CIA, pronunciou um de seus discursos mais famosos.
Em dezembro de 1975 participou do Primeiro Congresso do Partido Comunista de Cuba, que se repete a cada cinco anos.
Em outubro de 1995 participou da comemoração do 50º aniversário da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York e pronuncia discurso na Assembléia Geral.
Em janeiro de 1998 recebeu o Papa João Paulo 2º (1920-2005) em Havana. Em outubro de 2004, o líder cubano sofreu uma queda durante um ato público na localidade cubana de Santa Clara e fraturou um joelho e um braço.
O governo Castro é amplamente criticado pela comunidade internacional, que o acusa de violações aos direitos humanos em seu tratamento a presos políticos e dissidentes do regime. Muitas pessoas que atuaram contra o governo foram condenadas à morte.
| Reuters |
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| Fidel aparece em vídeo ao lado de Chávez para dar fim a rumores sobre sua saúde |
Cem anos
No dia 26 de julho de 2006, Castro afirmou, durante um ato diante de cerca de 100 mil simpatizantes na cidade de Bayamo, a 730 quilômetros a leste de Havana, que há cada vez mais cubanos centenários graças aos avanços sociais da revolução.
"Porém, não se assustem nossos vizinhos do norte (os EUA), pois não estou pensando em exercer as funções até essa idade", afirmou.
Na ocasião, Castro disse que está no poder contra sua vontade.
"Nunca lutei para isso. Lutarei sim, por toda a minha vida, até o último segundo, enquanto tiver uso da razão, por fazer algo de bom, fazer algo de útil", acrescentou.
Também em julho de 2006, o ditador cubano delegou temporariamente seus poderes ao irmão Raúl Castro, 75, por problemas de saúde. Em informe oficial, Fidel Castro comunicou que se afastaria para passar por uma cirurgia intestinal.
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