Hamas qualifica de "vitória" decisão de Olmert de deixar o poder
O movimento islâmico palestino Hamas qualificou nesta quinta-feira como uma "vitória" para os palestinos o anúncio do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, de deixar o poder em setembro. Segundo o porta-voz do Hamas na faixa de Gaza, Sami Abu Zuhri, a decisão de Olmert "é uma vitória para o Hamas e um indício da deterioração da vida política em Israel".
O Jihad Islâmico anunciou em seu site que a decisão de Olmert é "uma conquista do Hizbollah e dos ataques com foguetes palestinos contra Israel".
Saeb Erekat, negociador palestino no processo de paz com Israel, disse em Washington à emissora de rádio Voz da Palestina que "a situação interna em Israel é refletida nos palestinos com sangue, balas, assassinatos e expansão de assentamentos".
| Michal Fattal-29.jul.08/Efe |
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| O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que vai renunciar depois que seu partido, o Kadima, escolher um novo líder |
No entanto, afirmou ainda que "independentemente do que acontecer em Israel, os palestinos vão continuar se esforçando para alcançar um acordo de paz". Erekat também pediu que as mudanças no governo israelense "não se reflitam no processo de paz com os palestinos".
Envolvido em escândalos de corrupção, Olmert anunciou ontem que não concorrerá em setembro às primárias do seu partido, o Kadima, e que renunciará assim que o novo líder for escolhido.
"Decidi que não disputarei às primárias do Kadima nem irei interferir nessas eleições", disse Olmert, em discurso em sua residência oficial, em Jerusalém.
"Quando o novo líder do partido for escolhido, eu renunciarei como primeiro-ministro para permitir a eles formar um novo governo de maneira rápida e efetiva", afirmou o primeiro-ministro.
Sua decisão de não concorrer às primárias de seu partido no dia 17 de setembro dá início a um processo de escolha de um novo primeiro-ministro. Se o sucessor dele como líder do partido conseguir formar uma coalizão, Israel pode ter um novo governo em outubro. Se não conseguir, uma campanha eleitoral pode levar vários meses.
Quatro ministros do Kadima, incluindo a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, e o ministro dos Transportes, Shaul Mofaz, já lançaram campanhas para substituir Olmert como primeiro-ministro.
Suspeitas
As duas maiores investigações contra Olmert envolvem suspeitas de recebimento de propina de um empresário americano e desvio de verba de viagens oficiais quando ele era prefeito de Jerusalém e ministro de Indústria e Comércio.
Segundo a polícia, ele tinha várias fontes de financiamento quando fazia viagens internacionais para que pudesse embolsar a diferença. Olmert tem negado as acusações.
Nesta quarta-feira, ele disse que ficará provada sua inocência e seu nome ficará limpo de qualquer suspeita. Além disso, disse querer deixar claro que está "orgulhoso de ser cidadão de um país no qual o primeiro-ministro pode ser investigado como um cidadão comum".
"Investigar é o dever da polícia e o da Procuradoria é instruir a polícia. O primeiro-ministro não está acima da lei, mas também não está abaixo de nenhuma maneira", disse.
A decisão de Olmert de não concorrer à disputa pela liderança do Kadima e de renunciar após a escolha do novo líder pode anular os esforços das conversas de paz que ele teve com os palestinos e com a Síria.
Apesar disso, ele afirmou que continuará lutando para alcançar a paz com os palestinos e os sírios durante o tempo que permanecer no cargo.
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