México descarta fechar fronteiras devido a mortes por gripe suína
Em meio à crescente preocupação internacional com uma possível epidemia de gripe suína, as autoridades mexicanas disseram nesta sexta-feira que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não decretou o fechamento das fronteiras por causa dos mil casos da doença detectados no país e que não há restrição para a entrada de turistas. O governo confirmou que 20 pessoas morreram infectadas pelo vírus da doença, e há suspeita de ligação de outras 40 mortes com a gripe.
Segundo os dados da OMS, a doença causou 18 mortes no México, enquanto que nos Estados Unidos foram detectados sete casos --cinco na Califórnia e dois no Texas--, nenhum deles grave. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA informou que apenas um dos doentes viajou ao México.
| Guillermo Perea/Efe |
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| Passageiros protegem-se com máscaras em metrô na Cidade do México; gripe suína matou pelo menos 20 pessoas no país |
O vírus que está causando as mortes é do tipo influenza A, chamado de H1N1, e é transmitido de pessoa para pessoa. Ele contém DNA de vírus de aves, de porcos e de humanos, incluindo elementos de vírus suínos europeus e asiáticos, de acordo com o CDC. O governo mexicano descartou qualquer possibilidade de o vírus ser transmitido pela ingestão de carne de porco.
Epidemiologistas estão especialmente preocupados com o fato de os mortos identificados até agora serem adultos jovens, o grupo normalmente menos vulnerável à gripe. É possível que idosos e crianças tenham resistido à doença por terem sido vacinados.
Ao fazer o anúncio sobre as fronteiras, o ministro da Saúde mexicano, José Ángel Córdova, informou que as aulas nos centros educativos da Cidade do México, que registrou o maior número de casos, continuarão suspensas "até novo aviso". A medida afeta 7,5 milhões de estudantes e 420 mil professores distribuídos por cerca de 30 mil instituições de ensino, segundo a imprensa local.
Além da preocupação com a gripe, muitos pais precisam arrumar uma forma de cuidar dos filhos pequenos no horário de serviço, durante a primeira suspensão das aulas desta dimensão desde o devastador terremoto de 1985 na Cidade do México, informa a imprensa local.
Vacinas
Um comitê de emergência da OMS será instalado para dar apoio técnico e remédios, disse o ministro, garantindo que as autoridades mexicanas não terão problemas "quanto ao fornecimento de medicamentos".
Entretanto, esgotadas as vacinas na maioria dos postos médicos e as máscaras nas farmácias, a população da Cidade do México não sabe muito bem como encarar a gravidade do surto de gripe suína. O governo planeja aplicar as 500 mil vacinas contra a gripe restantes nos funcionários dos serviços de saúde, mais expostos à infecção.
Embora grandes filas tenham se formado no começo da manhã em alguns hospitais, o anúncio de que as vacinas tinham acabado dispersou as pessoas.
Até o momento, o preço da vacina se manteve estável em cerca de 400 pesos (cerca de US$ 30), mas os médicos consultados não sabem se seu custo aumentará diante do aumento da demanda.
Segundo o ministro da Saúde mexicano, os primeiros indícios apontam que o surto de gripe suína teve origem na Europa ou na Ásia, "sofreu mutações, foi transportado por um indivíduo e depois começou a se reproduzir".
Remédio
O CDC informou que o remédio antigripal Tamiflu --cujo nome genérico é oseltamivir-- e o Relenza --Zanamivir-- parecem ser eficazes contra a doença. O governo mexicano anunciou que há um milhão de doses do Tamiflu no país, cuja administração vai ser controlada, com necessidade de prescrição médica. As duas drogas devem ser tomadas no início da percepção dos sintomas, para que a ação seja mais eficaz.
Segundo as autoridades, qualquer pessoa que apresente os sintomas deve ficar em casa e solicitar ajuda médica. O governo pediu à população que evite locais de grande concentração, não use transportes públicos, utilize máscaras especiais e lave as mãos. Os cumprimentos com apertos de mão e beijos nos rosto também foram desestimulados.
No aeroporto da Cidade de México, brigadas médicas foram mobilizadas, e questionários são aplicados a todos os viajantes sobre seu estado de saúde no momento do embarque ou da saída do avião, e diante de qualquer sintoma de gripe pede-se que recebam assistência médica e cancelem a viagem.
Os sintomas da doença são semelhantes aos de uma gripe normal: temperatura corporal superior a 39 graus, dor de cabeça e dores musculares intensas, cansaço, coriza, espirros e irritações na garganta.
Com Efe, Associated Press, France Presse e Reuters
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