Para conter separatismo, rei do Marrocos anuncia comissão de regionalização
O rei Muhammad 6° do Marrocos anunciou neste domingo a criação da Comissão Consultiva para a regionalização, que deverá servir de base para o processo de descentralização do país, começando pelo território do Saara Ocidental, uma antiga colônia espanhola que seu país anexou nos anos 70, mas que não controla totalmente.
Em discurso à nação, o rei destacou que seu país "não pode permanecer com os braços cruzados diante dos impedimentos impostos pelos adversários da integridade territorial", por isso que inicia a regionalização avançada para que os habitantes do Saara "disponham de uma ampla liberdade na gestão de seus assuntos locais".
O rei anunciou que o presidente da comissão será o atual embaixador do Marrocos na Espanha, Omar Azziman, por sua "competência, experiência, imparcialidade e elevado sentido do dever".
Em novembro de 2008, Muhammad 6° havia antecipado o início da "regionalização avançada e gradual" e a criação de uma comissão multidisciplinar que hoje foi constituída.
Este órgão deverá apresentar seus trabalhos antes do final de junho, disse o rei, e acrescentou que entre os principais objetivos "está o início da regionalização avançada pelas recuperadas províncias do Sul (Saara Ocidental)".
Além disso, reivindicou a aposta de seu país pela iniciativa de autonomia para o Saara Ocidental dentro do marco das negociações com a separatista Frente Polisário previstas pela ONU (Organização das Nações Unidas), embora, em paralelo, levará adiante as reformas de descentralização anunciadas.
No discurso, pronunciado em Marrakech diante dos ministros de seu Executivo, Muhammad 6° expressou sua vontade que as regiões "não sejam entidades meramente formais ou burocráticas, mas constituam instituições representativas de elites qualificadas, aptas para poder levar uma boa gestão dos assuntos".
Por tudo isso, a comissão "deve agir para criar um inovador sistema nacional de regionalização, sem cair em mimetismos nem na fiel reprodução das experiências estrangeiras", com o objetivo de "fundar um modelo vanguardista de regionalização para os países em desenvolvimento".
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