ANDRÉ COELHO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM COX'S BAZAR (BANGLADESH)

Mamtaz Begum, 30, era moradora do vilarejo de Tula Toli, no estado de Rakhine, no norte de Mianmar. O local foi um dos mais atacados durante a ofensiva dos militares birmaneses contra os rohingya; estima-se que milhares de pessoas tenham sido assassinadas.

Ela e a filha Rozia, 7, foram as únicas sobreviventes de sua família, que tinha seis pessoas. Seu marido foi fuzilado e três de seus filhos mortos pelos soldados: dois jogados no rio próximo ao vilarejo e outro atirado em uma fogueira, enquanto ela era levada com a filha mais velha e outras mulheres para dentro de uma das casas.

A refugiada interrompe a entrevista diversas vezes, chorando muito. "Eles nos espancaram, tomaram nossos pertences e, enquanto eu era estuprada, minha filha foi atacada pelos soldados com golpes de machete porque estava chorando" conta, mostrando cicatrizes na cabeça da menina.

Elas foram deixadas inconscientes dentro da casa, incendiada pelos soldados, mas conseguiram escapar mesmo feridas e se esconderam em campos de arroz.

Foram ajudadas por outros refugiados até cruzar a fronteira com Bangladesh após quatro dias de caminhada.

Mamtaz teve queimaduras graves por todo o corpo e precisou passar por dois meses de tratamento em um hospital da organização Médicos Sem Fronteiras, mas ainda não se recuperou totalmente. Hoje, divide uma barraca com a filha e outros sobreviventes no campo de refugiados de Balukhali.

Crédito: Editoria de Arte/Folhapress ROHINGYA FOGEM PARA BANGLADESHOnde ficam os principais campos de refugiados
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