Bush diz ter certeza que houve interferência russa na eleição

Para ex-presidente, há "evidências claras" de que Moscou auxiliou Trump

Abu Dhabi

O ex-presidente americano George W. Bush (2001-2009) disse nesta quinta (8) que "há evidências claras" da interferência russa na eleição presidencial de 2016, se opondo assim às declarações de seu colega republicano Donald  Trump de que Moscou não afetou a votação. 

Apesar de não mencionar Trump, Bush criticou diversas políticas do atual presidente, como a aproximação com o governo de Vladimir Putin e o plano de mudar as regras de imigração nos EUA. 

"Há evidências muito claras de que a Rússia interferiu. Se eles afetaram o resultado já é outra questão", afirmou Bush durante um encontro em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. 

O ex-presidente americano George W. Bush durante evento em Washington
O ex-presidente americano George W. Bush durante evento em Washington - Manuel Balce Ceneta - 24.set.2016/Associated Press

Segundo ele, "é problemático que uma nação estrangeira interfira em nosso sistema eleitoral. Nossa democracia só pode ser boa se as pessoas confiarem nos resultados".

As principais agências de inteligência dos EUA, incluindo a CIA e o FBI, concluíram que a Rússia interferiu na eleição para ajudar Trump a vencer.

Isso deu início a uma série de investigações que buscam descobrir se o presidente ou aliados seus tiveram alguma participação nesta operação. Trump nega qualquer envolvimento com o caso. 

Bush também criticou o presidente russo Vladimir Putin, a quem chamou de "nulo". "A razão pela qual ele faz essas coisas [interferência na eleição], é que a queda da União Soviética o perturba muito. Portanto, muitas de suas ações são para recuperar a hegemonia soviética". 

O americano defendeu um fortalecimento da Otan (aliança militar ocidental) como uma forma de combater o aumento da influência russa. 

Bush também se manifestou contrário a decisão de Trump de acabar com o programa criado por Barack Obama que permitia que imigrantes que chegaram ilegalmente como crianças aos Estados Unidos, os chamados "dreamers", continuassem a viver no país. 

"A América é a casa deles. Eles [os políticos] precisam resolver isso", disse Bush, antecessor de Obama no comando do país. ​

"Há pessoas dispostas a fazer o trabalho que os americanos não querem", disse ele. "Americanos não querem colher algodão a 40º C, mas há pessoas que precisam colocar comia na mesa de suas famílias e estão dispostas a isso. Nós temos que agradecê-las e recepcioná-las bem." 

A Casa Branca não quis comentar as declarações do ex-presidente. 

Associated Press
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