Com baixo quórum em comícios, Farc suspende campanha eleitoral

Partido criado a partir de dissolução de guerrilha tem sido alvo de ataques

Candidato a deputado pela Farc, Pablo Catatumbo anuncia suspensão da campanha do partido da ex-guerrilha para as eleições na Colômbia
Candidato a deputado pela Farc, Pablo Catatumbo anuncia suspensão da campanha do partido da ex-guerrilha para as eleições na Colômbia - Felipe Caicedo/AFP
Sylvia Colombo
Buenos Aires

A Farc (Força Alternativa Revolucionária do Comum), partido criado a partir da dissolução da guerrilha homônima (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) após o acordo de paz firmado com o Estado, anunciou nesta sexta-feira (9) que suspenderá temporariamente sua campanha eleitoral.

O anúncio ocorre depois de uma semana em que os pré-candidatos ao Congresso e o pré-candidato à Presidência por essa sigla, Rodrigo "Timochenko"  Londoño, fizeram comícios para públicos muito mais reduzidos do que esperavam.

Além disso, sua caravana pelo interior do país chegou a ouvir insultos ("assassinos") em várias localidades. Também houve ameaças, queima de bandeiras e barricadas para impedir sua passagem. Em Armenia, chegou a haver uma série de ataques de ativistas contra a comitiva de Timotchenko.

A pré-candidata da ex-guerrilha à vice-Presidência, Imelda  Daza, disse que a suspensão das atividades de campanha se manteria até que o governo garantisse as condições de segurança para que o partido pudesse apresentar suas propostas à sociedade.

De fato, o acordo de paz com o Estado inclui uma ajuda monetária para a criação do partido e para a campanha, segurança para seus ex-guerrilheiros e para os pré-candidatos, além de garantir dez postos (cinco na Câmara dos Deputados e cinco no Senado), mesmo que a Farc não os obtenha por meio das urnas.

Essas medidas valem para as eleições de 2018 (legislativas em março, presidenciais em maio) e de 2022.

Daza pediu, além da segurança, que se investigue quem estaria por trás dos ataques. O grupo crê que as ações são orquestradas e que foram organizadas por membros do Centro Democrático, partido liderado pelo ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe, que sempre se posicionou contra o acordo de paz.

"O Centro Democrático não quer a paz na Colômbia. Quer fazer política à custa do retorno da violência", acusou Daza.

MAL NAS PESQUISAS

Em resposta, o pré-candidato à Presidência pelo partido uribista, o senador Iván Duque, negou que seu partido estivesse organizando os atos anti-Farc e disse que a legenda rival deveria aprender com as demonstrações de rejeição públicas do povo colombiano.

Nas pesquisas eleitorais, ainda sem as candidaturas completamente definidas, Timotchenko aparece com apenas 1% das intenções de voto.

Dentro da Farc há uma divisão entre os que creem que a campanha deve ter alcance nacional e os que pensam que ela deve se concentrar nas regiões onde há uma empatia com a guerrilha ---por conta da convivência amigável desta com algumas comunidades---, driblando centros urbanos, como Bogotá, ou regiões em que houve combates, como a Antioquia e o Valle  del  Cauca, onde a rejeição é maior.

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