Coreia do Norte critica sanções, mas se diz aberta a diálogo com EUA

Segundo Seul, diplomatas norte-coreanos expressaram vontade de negociar com Washington 

Seul e PyeongChang

O governo norte-coreano está disposto a dialogar diretamente com os Estados Unidos, apesar das recentes sanções impostas por Washington contra Pyongyang. 

A revelação foi divulgada neste domingo (25) pela Coreia do Sul, logo após um encontro entre o presidente Moon Jae-in e diplomatas da Coreia do Norte, que estavam no país para acompanhar a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno, em PyeongChang.  

Segundo o comunicado emitido pela Casa Azul (a Presidência sul-coreana), a ditadura de Kim Jong-un "tem ampla intenção de conversar com os Estados Unidos".

A filha de Donald Trump, Ivanka ao lado do norte-coreano Kim Yong-chol durante a cerimônia de encerramento da Olimpíada
A filha de Donald Trump, Ivanka ao lado do norte-coreano Kim Yong-chol durante a cerimônia de encerramento da Olimpíada - Lucy Nicholson/Reuters

A nota também afirma que a delegação norte-coreana concordou que a evolução na relação entre o país e Seul deve ser acompanhada de avanços também na relação entre Pyongyang e Washington

A delegação da Coreia do Norte foi liderada pelo general Kim Yong-chol, que faz parte do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores, o que faz dele é a mais importante autoridade a expressar a disposição do país em negociar com os americanos. 

As declarações são o mais recente sinal de uma mudança na diplomacia norte-coreana, que desde o início do ano vem ensaiando uma reaproximação com seus vizinhos do sul, tendo como pano de fundo a Olimpíada de Inverno. 

Em seu discurso do Ano Novo, o ditador Kim Jong-un expressou o desejo que os atletas do país participassem da competição, o que levou Seul a responder imediatamente propondo uma reunião entre os dois lados, a primeira em mais de dois anos. O encontro terminou com os norte-coreanos anunciando que iriam participar do evento.  

Para acompanhar a cerimônia de abertura do evento em 9 de fevereiro, na qual as duas Coreias desfilaram juntas, o ditador enviou uma delegação chefiada por Kim Yong-nam, considerado o número dois do regime, e por sua própria irmã, Kim Yo-jong. Um encontro entre ela e o vice-presidente americano Mike Pence, que também compareceu a cerimônia, chegou a ser marcado, mas acabou cancelada na última hora. 

A ditadura de Kim emitiu também neste domingo um comunicado sobre a participação do país nos Jogos Olímpicos . "Agradecemos nosso líder supremo por seu amor a nação e por sua forte determinação em conseguir realizar o esperado diálogo e cooperação inter-coreana", diz a nota, que afirma que o sucesso da competição está ligado a colaboração entre os vizinhos. 

O comunicado também criticou a decisão do presidente americano Donald Trump de ter feito na sexta (23) uma nova rodada de sanções contra o país. "Na iminência do fim da Olimpíada os Estados Unidos estão criando uma nova nuvem de confronto e guerra sob a península coreana", afirma a nota divulgada pela agência estatal KCNA

A Casa Branca respondeu afirmando que a Coreia do Norte deve desistir de seu programa nuclear antes das sanções serem suspensas. "Veremos se a mensagem de hoje de Pyongyang, de estar disposta ao diálogo, representa o primeiro passo do caminho do fim da desnuclearização", diz o comunicado americano.

Reuters e Associated Press

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