Ex-modelo da 'Playboy' teve caso com Trump, diz 'New Yorker'

Affair teria ocorrido em 2006, segundo revista; presidente nega

Nova York | Associated Press

O presidente americano, Donald Trump, teria tido um relacionamento de nove meses com a ex-modelo da Playboy Karen McDougal em 2006, quando já era casado com sua atual mulher, Melania. Trump teria levado McDougal para conhecer o quarto do casal na Trump Tower e também ao seu bangalô privado no Hotel Beverly Hills.

Karen McDougal em festa da "Playboy" em Miami, em foto de 2010
Karen McDougal em festa da "Playboy" em Miami, em foto de 2010 - Dimitrios Kambouris - 6.fev.10/Getty Images/AFP

O relato de oito páginas escrito à mão por McDougal foi obtido pela revista "The New Yorker", que publicou a história nesta sexta-feira (16). A ex-modelo confirmou à revista que escreveu o relato mas disse que estava constrangida com o que mais poderia dizer publicamente sobre Trump porque havia assinado um acordo de confidencialidade.

O caso acabou, segundo a "New Yorker", em parte porque ela começou a se sentir culpada e depois de Trump fazer um comentário ofensivo sobre a idade da mãe de McDougal, além de uma declaração vulgar sobre a anatomia de homens negros.

Segundo a ex-modelo, escolhida a Playboy Playmate de 1998, ela recebeu US$ 150 mil do tabloide "National Enquirer" durante a campanha presidencial de 2016 pelos direitos de sua história sobre um affair com um "homem casado" ---o tabloide, porém, nunca publicou o relato.

Um dia antes da eleição, o "Wall Street Journal" reportou que o tabloide, cujo publisher, David Pecker, é um amigo de longa data de Trump, pagou pela história de McDougal para não publicá-la, prática conhecida como "catch and kill" (pegue e mate) no ramo dos tabloides.

Ex-funcionários da American Media Inc., que publica o "National Enquirer" e outros sites de fofoca, afirmaram à Associated Press sob condição de anonimato que a empresa frequentemente compra os direitos de histórias negativas sobre certas celebridades. A prática, descrita por seis ex-empregados que participaram de acordos como esse, daria ao publisher Pecker um trunfo sobre famosos para que ele cobrasse favores futuros.

A "New Yorker" relatou que McDougal foi procurada nos últimos meses pela empresa do "National  Enquirer" para estender o contrato que a impedia de falar sobre Trump em meio às revelações de que o advogado do presidente teria pago US$ 130 mil pelo silêncio da ex-atriz pornô Stefanie Clifford sobre um encontro com Trump.

Segundo a "New Yorker", o advogado de Los Angeles que representou Clifford no acordo com o advogado de Trump foi o mesmo que representou McDougal na negociação com a American Media.

A American Media afirmou que não achou crível o relato de McDougal sobre o affair com Trump e pagou a ex-modelo para escrever colunas sobre fitness. Em uma nota à "New Yorker", a empresa negou que ter direitos exclusivos sobre a história de McDougal possibilitasse alguma influência sobre o presidente, afirmando que tal alegação "apesar de lisonjeira, era risível".

A Casa Branca disse que Trump nega ter tido um caso com McDougal. O suposto caso teria ocorrido pouco tempo depois de o presidente se casar com Melania, sua terceira mulher, que tinha acabado de dar à luz Barron, filho mais novo de Trump, hoje com 11 anos.

McDougal disse à "New Yorker" que ela se arrepende de ter assinado documentos legais que restringem o que ela pode dizer. "Cada garota que fala está pavimentando o caminho para outra", afirmou à revista.

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