Guatemala prende executivo da Oxfam e ex-presidente por corrupção

Prisão aumenta pressão sobre ONG britânica em meio a alegações de abuso sexual

Londres e Cidade da Guatemala

O ex-presidente da Guatemala Alvaro Colom e um ex-ministro da Economia que hoje é presidente do conselho da ONG Oxfam foram presos nesta terça-feira (13) como parte de uma investigação sobre corrupção no país da América Central.

Juan Alberto Fuentes, presidente do conselho da ONG Oxfam e ex-ministro da Economia da Guatemala, é detido nesta terça (13)
Juan Alberto Fuentes, presidente do conselho da ONG Oxfam e ex-ministro da Economia da Guatemala, é detido nesta terça (13) - Luis Soto/Associated Press

"Uma das dez pessoas presas na operação de hoje é o ex-presidente da República Alvaro Colom", afirmou Juan Francisco Sandoval, chefe da força anticorrupção no gabinete da promotoria da Guatemala.

Juan Alberto Fuentes, ex-ministro da Economia da Guatemala que atualmente é presidente do conselho da Oxfam  International, também foi detido, disse a promotoria.

Colom, 66, foi presidente da Guatemala entre 2008 e 2012. A investigação envolve compra de ônibus durante seu governo que seriam usados em um grande programa de transporte público.

"Acreditamos que tudo foi legal, mas vamos esperar para ver o que o juiz vai dizer", disse Colom ao entrar no tribunal. Os outros oito detidos foram ex-ministros de Colom que assinaram o acordo para a compra dos ônibus.

ABUSO SEXUAL

A prisão de Fuentes aumenta a pressão sobre a Oxfam, uma das maiores organizações humanitárias britânicas e alvo de denúncias de que não teria lidado com casos de abuso sexual na entidade.

Em entrevista nesta terça, uma ex-funcionária que liderou a seção da Oxfam que investigava casos do gênero afirmou que suas preocupações sobre "uma cultura de abuso sexual" envolvendo funcionários não foram levadas a sério pela direção da organização.

Helen Evans chefiou as investigações de alegações contra funcionários da Oxfam entre 2012 e 2015 e relatou que os casos que ouviu incluem o de uma mulher forçada a fazer sexo em troca de ajuda.

Outro episódio envolvia a agressão de um funcionário a um adolescente em um lar de caridade no Reino Unido.

Uma análise de agentes da Oxfam em três países, incluindo o Sudão do Sul, mostrou que 10% desses agentes foram agredidos sexualmente e que outros testemunharam ou sofreram estupros ou tentativas de estupro de colegas, segundo Evans.

"Senti que nossa falta de recursos adequados estava colocando pessoas em risco", disse ela à TV britânica Canal 4.

Questionada sobre as declarações de Evans, a Oxfam afirmou que o trabalho da ex-funcionária estimulou a ONG a adotar medidas concretas para melhorar a maneira como lida com essas questões.

"Lamentamos que não tenhamos agido mais rápido e com mais recursos de acordo com as preocupações de Helen", disse a ONG em nota.

A vice-diretora da ONG renunciou nesta segunda-feira (12) em meio a alegações de que a Oxfam não lidou com casos de abuso sexual por funcionários da entidade que estavam no Haiti em 2010, realizado trabalho humanitário após um terremoto que deixou 200 mil mortos.

A diretora-executiva da entidade, Winnie Byanyima, afirmou estar "profundamente ferida". O caso foi revelado em uma reportagem do jornal britânico "The Times". A Oxfam não confirmou nem negou o relato.

O escândalo levou o governo britânico a estudar cortar verbas de ONGs que não se submetam a critérios de revisão de suas ações no exterior.

Com cerca de 5.000 funcionários e 27 mil voluntários, a Oxfam é uma das maiores organizações de ajuda humanitária do mundo.

Em 2017, a ONG gastou R$ 1,2 bilhão em ajuda humanitária. Segundo a Oxfam, suas atividades atingem mais de 11 milhões de pessoas.

Reuters

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