Kim Jong-un convida presidente da Coreia do Sul a Pyongyang

Em carta, o ditador norte-coreano tenta aproximação com a Coreia do Sul

Kim Yo Jong (esq.) entrega carta do irmão, o ditador norte-coreano, ao presidente sul-coreano, Moon Jae-in, em Seul - Yonhap/AFP
Seul | AFP

O ditador norte-coreano, Kim Jong-un, convidou o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, para participar de uma reunião de cúpula em Pyongyang, enquanto os EUA advertiram contra a "operação de sedução olímpica" do regime norte-coreano.

O convite foi transmitido por Kim Yo-jong, irmã do ditador, que está no Sul para a Olimpíada de Inverno.

A enviada especial Kim Yo-jong entregou uma carta pessoal de seu irmão que expressa o desejo de melhorar a relação entre as Coreias, declarou o porta-voz de Moon, Kim Eui-kyeom. Também transmitiu verbalmente o convite de seu irmão para que Moon visite o Norte "no momento que mais lhe convier".

Moon, a irmã do ditador e o chefe de Estado norte-coreano, Kim Yong-nam, se reuniram para um almoço neste sábado (10).

O líder sul-coreano não respondeu ao convite. Pediu que sejam criadas boas condições para a visita e que o Norte dialogue com os EUA.

"É absolutamente necessário que o Norte e os EUA iniciem um diálogo rapidamente", disse Moon, segundo seu porta-voz.

Kim Jong-un durante desfile militar em Pyongyang - Korea News Service - 8.fev.2018/Associated Press

Caso o encontro ocorra, será o terceiro do tipo, após as reuniões que Kim Jong-il, pai de Kim Jong-un, teve em Pyongyang com os presidentes sul-coreanos Kim Dae-jung e Roh Moo-hyun, em 2000 e 2007, respectivamente.

Mas o encontro pode gerar discórdia entre Moon e o presidente americano, Donald Trump, que há poucas semanas trocava insultos e ameaças apocalípticas com Kim.

Washington exige que Pyongyang mostre, antes de qualquer negociação, que está disposto a renunciar a seu programa nuclear --quando Kim se vangloria de o país ter se tornado um Estado nuclear de pleno direito.

A proposta ocorre após dois anos de tensão na península coreana, período em que Pyongyang realizou três testes nucleares e dezenas de testes de mísseis, ameaçando atingir os EUA.

Em voo de volta para os Estados Unidos, o vice-presidente americano, Mike Pence, disse que seu país, o Japão e a Coreia do Sul estão de acordo com a necessidade de isolar a Coreia do Norte "econômica e diplomaticamente até que abandonem seu programa nuclear".

O chefe de estado da Coreia do Norte Kim Yong-nam com Kim Yo-jong - Ed Jones/AFP

Analistas sugerem que a Coreia do Norte busca, com sua participação na Olimpíada de Inverno, obter um abrandamento das sanções contra o regime e prejudicar a relação entre Seul e Washington.

Kim Yo-jong vive uma ascensão fulgurante ao topo do poder, que seu irmão herdou do pai no fim de 2011. Desde outubro, integra o poderoso órgão político do partido único no poder na Coreia do Norte.

O último membro da família Kim a visitar Seul havia sido seu avô, Kim Il-sung, fundador do regime, quando suas tropas conquistaram a capital em 1950.

Durante a cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno, o vice-presidente americano, Mike Pence, não entrou em contato com os representantes norte-coreanos, informaram fontes americanas.

"Os Estados Unidos não permitirão que a farsa representada pela propaganda norte-coreana siga sem resposta no cenário internacional", publicou Pence no Twitter neste sábado (10). "O mundo não pode permanecer de ouvidos fechados ante a opressão e as ameaças do regime de Kim", criticou.

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